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O Beijo do Carrasco

1917 (Argentina)

El Beso del Verdugo

Como un perro que lame sus heridas
lames hoy tu gangrena milenaria;
la pasion de tu beso esconde en ansia
de ser rey de las cosas que acaricias.

Un verdugo juraría mar la vida
en su miedo al destierro de los parias,
y así teje tu hocico sus plegarias,
y en tus manos sólo hay sangre y cenizas.
Y en tus manos sólo hay sangre y cenizas...

Tambalea el reino de tu gloria
-con cadáveres hiciste sus cimientos-,
y en sus ruinas habitan, como espectros,
tus gastados herederos sin memoria.

Tu agudeza y tu gracia se marchitan,
agoniza tu estirpe de cobardes,
mas tus venas aun no han de secarse
pues se ceban con las vidas que rapiñas.
Y en tus manos sólo hay sangre y cenizas...

Sobrevives ya casi sin aliento
de un pasado que supo ser tu gozo;
aunque fresco haya sido delicioso,
todo fruto se pudre con el tiempo.

O Beijo do Carrasco

Como um cachorro que lambe suas feridas
lambes hoje tua gangrena milenar;
a paixão do teu beijo esconde na ânsia
de ser rei das coisas que acaricias.

Um carrasco juraria mar a vida
com seu medo do desterro dos párias,
e assim tece teu focinho suas preces,
e em tuas mãos só há sangue e cinzas.
E em tuas mãos só há sangue e cinzas...

Vacila o reino da tua glória
-com cadáveres fizeste seus alicerces-,
e em suas ruínas habitam, como espectros,
tus herdeiros desgastados sem memória.

Teu brilho e tua graça murcham,
agonia tua linhagem de covardes,
mas tuas veias ainda não vão secar
pois se alimentam das vidas que rapiñas.
E em tuas mãos só há sangue e cinzas...

Sobrevives já quase sem fôlego
de um passado que soube ser teu gozo;
embora fresco tenha sido delicioso,
todo fruto se apodrece com o tempo.

Composição: