Dama de tul
grilos que critan, o ar a quecer
un xersei de algodón a secar no cordel
fiestras abertas, o arbre africán
move as suas ponlas mor do furacán
non deixou nada dito, apagou-se unha lus
e foi-se coa dama vestida de tul
dis-que que a viron chegar co solpor
que entrou no teatro a meia sesión
asi foi que o atopou e parou-se-lle á par
el ficou namorado de aquel rostro irreal
din que danzou para Cristo na crus
e foi-se coa dama vestida de tul
sermóns, armonias, oi-se ao cura no altar
fala das misérias, do ben e do mal;
"pro perdón dos pecados, preguemos-lle a Deus
de xionllos, humildes pero enchidos de fe"
é doado no norde mas terrível no sur
marchou-se coa dama vestida de tul
na vida hai que ir sen mirar cara a atrás
iso é o que din, e asi é que nos vai
ningun home vive nin morre ningun
só buscan á dama vestida de tul
hai fume nas águas e cañóns e fusis
e mareas enchidas coas luas de avril
o trotar dos cabalos i ese ritmo infernal
alguén anda aí fóra a petar no portal
xa non hai mais palavras e ninguén mais que un
achega-se a dama, a dama de tul
Dama de Tule
grilos que cantam, o ar esquentando
um suéter de algodão secando no varal
janelas abertas, a árvore africana
balança suas folhas por causa do furacão
não deixou nada dito, apagou-se uma luz
e foi-se com a dama vestida de tule
dizem que a viram chegar ao entardecer
que entrou no teatro na metade da sessão
assim foi que a encontrou e parou ao seu lado
ele ficou apaixonado por aquele rosto irreal
dizem que dançou para Cristo na cruz
e foi-se com a dama vestida de tule
sermões, harmonias, ouve-se o padre no altar
fala das misérias, do bem e do mal;
"pelo perdão dos pecados, oremos a Deus
sendo pequenos, humildes, mas cheios de fé"
é fácil no norte, mas terrível no sul
partiu-se com a dama vestida de tule
na vida é preciso seguir sem olhar pra trás
isso é o que dizem, e assim é que nos vai
nenhum homem vive nem morre sozinho
só buscam a dama vestida de tule
há fumaça nas águas e canhões e fuzis
e marés cheias com as luas de abril
o trotar dos cavalos e esse ritmo infernal
alguém está lá fora batendo na porta
já não há mais palavras e ninguém além de um
aproxima-se a dama, a dama de tule