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O Blues da Matanza

A. R. Berdiales

A Matanza Blues

Teño pasao bon medo, hay años eso si,
con ua costumbre vella que había por aquí
condo vía el mal tempo alló por S. Andrés,
poñíanse todos to(l)los de a cabeza hasta os pes
cargaban contra os cochos era el tempo ideal
de chantaryes ne´l gorgoleiro aquella bestialidá
y berraban y berraban y berraban,
hasta nun poder más.
Todo empezaba uos cuantos días atrás,
afilando a ferramenta que nun fose fallar
el gancho pra sacayo tirando del cubil,
el chamberil ben limpio pra colgayo d´el
a tina pra a sangre que hay que fer buas morcillas
y cinco o seis vecios dispostos a agarrar.
y a berrar y a berrar y a berrar,
hasta nun poder más.
Eo era solo un neno y taba acojonao,
aquel mal momento téñolo grabao.
El agua ta fervendo, ta todo preparao
os vecíos y el viño tamén tan listos xa.
Daquén se armóu de gancho y a(l)ló se encaminóu
y d´ arrastro ven chantao por a mandíbula
y a berrar y a berrar y a berrar,
hasta nun poder más.
Eo debaxo d´ a cama, tapao hasta as oreyas,
el cocho xa deitao encima d´a bacita,
condo de repente empezan a berrar
todos os vecíos veña a xurar,
el cocho que se solta y empeza a patinar,
que se ergue de´l baño y vota a correr
y a berrar y a berrar y a berrar,
hasta nun poder más.
Nunca soupen mas nada d´ aquel cocho cruel,
que nos deixou a todos sin podeyo comer,
igual se casou con un hembra xabaril.
xa que bastaba veyo, era muy viril,
y desde aquel momento naide volveo matar
por medo al ridículo delante d´ a vecindá
y acabouse y acabouse y acabouse
y xa nun canto más.

O Blues da Matanza

Tive um medo danado, faz anos, isso sim,
com um costume antigo que tinha por aqui.
Quando via o tempo feio lá por S. Andrés,
se colocavam todos de cabeça aos pés.
Atacavam os porcos, era a hora ideal
de gritar no gogoleiro aquela brutalidade
e berravam e berravam e berravam,
fins não aguentar mais.
Tudo começava uns dias antes,
afiando a ferramenta pra não falhar.
O gancho pra puxar, tirando do buraco,
o canivete bem limpo pra pendurar nele.
A tina pra o sangue, que tem que fazer morcilhas,
e cinco ou seis velhos prontos pra agarrar.
e a berrar e a berrar e a berrar,
fins não aguentar mais.
Eu era só um garoto e tava apavorado,
aquele momento ruim tá gravado.
A água tá fervendo, tá tudo preparado,
os vizinhos e o vinho também tão prontos já.
Alguém pegou o gancho e pra lá se encaminhou
e arrastando vem gritando pela mandíbula
e a berrar e a berrar e a berrar,
fins não aguentar mais.
Eu debaixo da cama, coberto até as orelhas,
o porco já deitado em cima da prateleira,
quando de repente começam a gritar
todos os vizinhos, vem jurar,
o porco que se solta e começa a escorregar,
que se levanta do banho e sai correndo
e a berrar e a berrar e a berrar,
fins não aguentar mais.
Nunca soube mais nada daquele porco cruel,
que nos deixou a todos sem poder comer,
quem sabe se casou com uma fêmea javali.
Só de olhar pra ele, era bem viril,
e desde aquele momento ninguém mais quis matar
por medo do ridículo na frente da vizinhança
e acabou-se e acabou-se e acabou-se
e já não canto mais.