Quatro paredes e o silêncio gritando
Aprendi cedo o que é ficar quieto
Um berço de vidro, eu dormia rachando
Cada estalo era um segredo
Ninguém perguntou se doía
Ninguém voltou pra checar
Cresci contando os dias
Como quem aprende a se afogar
Eu fui criança em ruínas
Ninguém varreu o chão
Carrego as pedras pequeninas
Que viraram meu alicerce e minha prisão
Não me lembro de colo, só de portas
Não me lembro de canção, só de grito
Aprendi a rezar pras horas mortas
Aprendi a viver dentro de um edito
Eu não escolhi esse começo
Mas escolho o que faço com o resto
Não sou só a rachadura
Sou também quem ainda se ergue desse gesto
Eu fui criança em ruínas
Mas aprendi a reconstruir
Carrego as pedras pequeninas
E de cada uma, aprendo a sorrir
Berço de vidro, coração de barro
Ainda assim, eu sigo aqui