Eles somam zeros que ninguém enxerga
Enquanto sua conta nunca fecha o mês
Chamam de mérito o que é herança
Chamam de esforço a sorte de uma vez
O lucro deles é abstrato
Mas sua exaustão é concreta
O rio deles nunca seca
Mesmo quando a sua terra está deserta
Enquanto ainda há tempo
Eu levanto essa voz, esse punho
Não é inveja, é inventário
Do que foi tirado de mim, junto
A natureza também está cansada
De alimentar quem nunca tem o bastante
Cada rio, cada terra saqueada
É recibo de um lucro repugnante
Não somos recurso
Somos gente
Não somos descarte
Somos urgente
Enquanto ainda há tempo
Eu não vou ficar quieto
Não é ódio o que me move
É a recusa de aceitar o projeto
Enquanto ainda há tempo
E ainda há