Um rachar no chão que eu chamava de chão
Um sussurro debaixo da pele do mundo
Eu vivia de costas pro poço
Fingindo que o silêncio era paz
Mas tem uma voz que raspa por dentro
Cavando um túnel que eu não escavo mais
A rotina é uma pele emprestada
Que já não veste o que restou de mim
Alguma coisa quebrou lá no fundo
E o eco sobe, e o eco não tem fim
Ouço o chamado
Vindo de onde eu enterrei
O que eu jurei que tinha matado
Ainda respira, ainda sabe o meu nome
Abismo me chama e eu não corro mais
Desço sem corda, desço sem paz
Cada degrau que eu nego subir
É um pedaço de mim que eu matei pra fingir
O chão se abriu, não tem volta aqui
Eu sou o poço e o que cai
As máscaras que eu usei pra viver
Rachadas, escorrendo cera e sal
Não existe luz que finja mais
Quando a sombra já sabe onde eu tô
Todo mundo normal lá em cima
Não escuta o que eu escuto agora
Um chamado que nasce do avesso
E me puxa pra dentro, hora após hora
Ouço o chamado
Vindo de onde eu enterrei
Abismo me chama e eu não corro mais
Desço sem corda, desço sem paz
Cada degrau que eu nego subir
É um pedaço de mim que eu matei pra fingir
O chão se abriu, não tem volta aqui
Eu sou o poço e o que cai
Eu tentei viver de raso
Fingir que o fundo não existia
Mas o abismo tem paciência
E hoje ele cobra o que era meu
Abismo me chama e eu não corro mais
Desço sem corda, desço sem paz
O chão se abriu, não tem volta aqui
Eu sou o poço e o que cai
Desço