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Embolada Pro Seu Zóio

Airam Capuani

Os zoínho do meu bem é jiboia atrás do vidro
Não tem boca, mas conversa
E as conversas cai no ouvido fofoquei pro violão e ele fez canção comigo
(A minha sanfona é triste, mas o som dela é bonito)

É que esses zóio do meu bem me espia além da carne
É feito de carnaúba, é feito de batucagem
Na margem do rio da ideia pros seus zóio eu dou passagem
(No deserto o inimigo do camelo é a bagagem)

Os zóinho do meu bem parece dois balãozão
Tipo aqueles colorido, tipo aqueles de São João
Era aqueles de eu criança que deu tchau pra minha mão
(Seus zóio estoura vista é duas bolhas de sabão)

O esquerdo é Lua branca, o direito é pôr do Sol
O esquerdo é assum preto, o direito é rouxinol
O esquerdo é guarda-chuva e o direito é girassol
(O esquerdo é o barqueiro e o direito é o farol)

Os zóio do meu benzinho, tem cheiro de matagal
Metade surrealista, metade mundo real
É metade catequese, e é metade carnaval
(Me alembra polo norte e aurora boreal)

Os seus zóio é céu marrom que eu solto meus papagaio
São uns tigre engaiolado, é feirante sem balaio
Mês atrás já me engoliu e esse mês também eu caio
(Lembrando dum céu marrom carcomido pelo raio)

Os zóio do meu benzinho, segue vagalumeando
Enquanto ela me escuta o pandeiro vai chorando
Seus zóio é hieroglifo que eu sigo decifrando
(Seus zóinho faz barulho, é o som do vento ventando)

Seus zóio solta fumaça, são dois querubim descido
Dois coringa no baralho, dois espelho infinito
Lembra o som da cachoeira que me deixa entorpecido
(Vamo ver o pé da letra falando no pé do ouvido)

Lembra psicodelia, lembra chuva no sertão
Lembra o som da passarada, lembra a pena do pavão
A sua íris vem da areia e a pupila do carvão

Composição: Airam Pontes Capuani