L'avarice
Aucun sentiment, aucun regret, l'appel de l'argent, l'appât du gain était plus fort que tout. Etre de plus en plus rentable était la seule phrase qui rythmait mon existence. Le côté pécunier primait sur la moralité de ce métier si difficile et si oppressant. D'avoir sur le sort de ces déséquilibrés les félicitations des familles de certaines victimes pour avoir condamné leur bourreau.
Nombre d'affaires à plaider, nombre de meurtriers défendus, de fous, de monstres envoyés sur la chaise électrique, ou s'endormir à jamais dans cette chambre aux vapeurs morbides.
De l'argent, de l'argent, de plus en plus ; des remords, de moins en moins. Je me faisait un plaisir de faire languir les affaires afin d'arriver à soutirer le plus de biens possible à mes clients. Ruinant parfois des mois de leur vie, endeuillés par l'angoisse du jugement : le verdict tant attendu. De cour de cassation en appel, tout était bon pour satisfaire ma soif d'acquérir. Bien souvent je me dégouttais, je me sentais comme un voleur dérobant les biens d'autrui avec une excitation incontrôlée proche de la folie. Pourquoi, pourquoi, j'étais rongé par le vice ?
Dévoré par le plaisir de posséder, avec la conviction d'être normal. Désormais, le peu de conscience qu'il me restait me servait à jouir de cette situation controversée. Pourtant dans le regard de mes semblables je voyais bien le changement d'attitude vis à vis de mon comportement ; ils avaient tous compris le mal qui m'aveuglait.
Nombre d'affaires à plaider, nombre de meurtriers défendus, de fous, de monstres envoyés sur la chaise électrique, ou s'endormir à jamais dans cette chambre aux vapeurs morbides.
Avide… Regarde toi
Perfide… Tu n'es plus toi
Cupide… L'argent fait loi
Aride… Ton cœur est froid
Stupide… Tu te perdras
Rapide… Ta fin viendra
Cette chose qui me rongeait semblait s'accroître de jour en jour jusqu'au point de ne plus avoir possession de mon amour. Faire du profit avec le malheur d'autrui sans se soucier des conséquences de mes ignominies ; ceci ne me semblait pas très traumatisant mais l'argent, l'argent m'envoûtait de jugement en jugement. Détruit, pourrie ma vie était pourrie. Peut importe tant que j'avais le profit.
Toi qui croyais tant à la bonté de ton cœur,
Dans les abîmes du mal tu as sombré corps et âme.
Toute ta vie n'était qu'un leurre,
Personne ne peut rien pour celui qui se damne.
L'argent était devenu mon seul but, ma seule raison de vivre, comme une gourmandise, je m'en délectais avec délice. Ce désir immodéré d'accumuler ; l'avarice du bon côté de la justice
A Ganância
Nenhum sentimento, nenhum arrependimento, o chamado do dinheiro, a tentação do lucro era mais forte que tudo. Ser cada vez mais lucrativo era a única frase que marcava minha existência. O lado financeiro prevalecia sobre a moralidade dessa profissão tão difícil e opressora. Receber os elogios das famílias de algumas vítimas por ter condenado seu algoz, enquanto decidia o destino desses desequilibrados.
Número de casos a defender, número de assassinos defendidos, de loucos, de monstros enviados para a cadeira elétrica, ou que adormecem para sempre nesse quarto de vapores mórbidos.
Dinheiro, dinheiro, cada vez mais; remorsos, cada vez menos. Eu me divertia em prolongar os casos para conseguir arrancar o máximo de bens possível dos meus clientes. Arruinando às vezes meses de suas vidas, atormentados pela angústia do julgamento: o veredicto tão esperado. De corte em corte, tudo era válido para saciar minha sede de adquirir. Muitas vezes eu me enojava, me sentia como um ladrão roubando os bens dos outros com uma excitação incontrolável, quase insana. Por que, por que, eu estava consumido pelo vício?
Devorado pelo prazer de possuir, com a convicção de ser normal. Agora, a pouca consciência que me restava servia apenas para desfrutar dessa situação controversa. No entanto, no olhar dos meus semelhantes, eu via bem a mudança de atitude em relação ao meu comportamento; todos haviam percebido o mal que me cegava.
Número de casos a defender, número de assassinos defendidos, de loucos, de monstros enviados para a cadeira elétrica, ou que adormecem para sempre nesse quarto de vapores mórbidos.
Ávido… Olhe para você
Perfidia… Você não é mais você
Cúpido… O dinheiro é a lei
Árido… Seu coração está frio
Estúpido… Você vai se perder
Rápido… Sua hora vai chegar
Essa coisa que me corroía parecia aumentar dia após dia até o ponto de não ter mais posse do meu amor. Lucrar com a desgraça alheia sem se importar com as consequências das minhas ignomínias; isso não me parecia tão traumático, mas o dinheiro, o dinheiro me enfeitiçava de julgamento em julgamento. Destruído, podre, minha vida estava podre. Não importava, contanto que eu tivesse lucro.
Você que acreditava tanto na bondade do seu coração,
Nos abismos do mal você afundou corpo e alma.
Toda a sua vida não passava de uma ilusão,
Ninguém pode fazer nada por quem se condena.
O dinheiro se tornara meu único objetivo, minha única razão de viver, como uma guloseima, eu me deliciava com isso. Esse desejo desmedido de acumular; a ganância do lado bom da justiça.