Saí do meu Rio Grande, menino de pé no chão
Com a lua por guia e o mundo na mão
Cruzei sete mares, deserto e sertão
E em cada cidade deixei um coração
Mas à meia-noite me disse em segredo
Que raiz não morre, só dorme no chão
O mundo é grande, mas tem um degredo
Todo filho volta pro seu rincão
Todo filho volta pro seu rincão
Amei muitas vezes, jurei nunca mais
Amores de porto, de outono e cais
Mas nenhum feitiço me prendeu tanto
Quanto o cheiro do mato, do meu campo santo
E à meia-noite gritou no meu ouvido
Já andaste demais, já podes voltar
Sou gaúcho velho, menino crescido
Voltei pro meu lar pra me enterrar
Voltei pro meu chão pra me encontrar