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Diarréia Mental

Albert Pla

Diarrea Mental

Sucio puerco solitario
Voy vomitando mi llanto
Y al verme tan inútil
Nadie quiere darme un beso
Porque apesto a estercolero
Y hasta se me caen los mocos
Me los como y es penoso
No poderlos compartir
Nunca nadie se ha atrevido
A darme un poco de cariño

Soy repugnante. un cerdo
Peor que un puerco
Porque será

Que si me miro en el espejo
Me entra ese mal sabor de boca
Y tengo ganas de escupir
Será de rabia que escupo
Por mi asqueroso destino
Soy peor que un marginado
Pero si reniego del sistema
O maldigo esta sociedad
Si me cago en este mundo
Me cago en los calzoncillos
Me contengo
No puedo evitarlo
Me cago en todo

Y luchando contra mi sino
Ni siquiera me permito
Ni la más leve sonrisa
Pues si estoy alegre erupto
Me atraganto en mi alegría
Y siempre se me escapa un pedo
Cuando me pongo contento
No lo resisto
No puedo aguantarme
Porque será

Mi ser es un vertedero
Pura basura una miseria
Un gran montón de porquería
Se me revuelven las tripas
De tanto asco que me doy
Y vomito de tristeza
Cuando miro lo que soy
Mi vida es una horrible pesadilla

A veces sueño
Que soy pura fragancia perfumada
Sensual
Y ese sueño huele tan bien
Dulce ambrosía
Brisa primaveral
Quién pudiera dormir eternamente

Pero luego me despierto
Ya volví a cagarme encima
Ya volví a ensuciar la cama
Y de nuevo me reencuentro
En mi apestada realidad
Con mi fétido pasado
Mi putrefacto futuro
Con mi inmensa verdad de hedor amargo

Yo sufro de un horrible mal
Un mal llamado diarrea mental
Yo sufro de un horrible mal
Un mal llamado diarrea mental

Diarréia Mental

Sujo, porco, solitário
Vou vomitando meu choro
E para o verme tão inútil
Ninguém quer me dar um beijo
Porque eu cheiro a esterco
E até meu nariz escorre
Eu como e é vergonhoso
Não poder compartilhar
Nunca ninguém se atreveu
A me dar um pouco de carinho

Sou repugnante, um porco
Pior que um suíno
Por que será?

Que se eu me olho no espelho
Me vem um gosto amargo na boca
E eu tenho vontade de cuspir
É raiva que eu cuspo
Por meu destino nojento
Sou pior que um excluído
Mas se eu renego o sistema
Ou amaldiçoa essa sociedade
Se eu me cago nesse mundo
Me cago na roupa íntima
Eu me contenho
Não consigo evitar
Me cago em tudo

E lutando contra meu destino
Nem me permito
Nem um sorriso leve
Pois se estou alegre, arrotos
Me engasgo na minha alegria
E sempre solto um peido
Quando fico feliz
Não aguento
Não consigo me segurar
Por que será?

Meu ser é um lixão
Pura sujeira, uma miséria
Um grande monte de porcaria
Minhas tripas se reviram
De tanto nojo que me dou
E vomito de tristeza
Quando vejo o que sou
Minha vida é um pesadelo horrível

Às vezes sonho
Que sou pura fragrância perfumada
Sensual
E esse sonho cheira tão bem
Doce ambrosia
Brisa de primavera
Quem pudesse dormir eternamente

Mas depois eu acordo
Já me caguei de novo
Já sujei a cama de novo
E de novo me reencontro
Na minha realidade fedida
Com meu passado fétido
Meu futuro podre
Com minha imensa verdade de cheiro amargo

Eu sofro de um mal horrível
Um mal chamado diarréia mental
Eu sofro de um mal horrível
Um mal chamado diarréia mental

Composição: