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Dizem Que Dizem

Alberto Ballestero

Dicen Que Dicen

Vení, acercáte, no tengas miedo,
Que tengo el puño, ya ves, anclao.
Yo sólo quiero contarte un cuento
De unos amores que he balconeao.
Dicen que dicen, que era una mina
Todo ternura, como eras vos,
Que jué el orgullo de un mozo taura
De fondo bueno... como era yo.

Y bate el cuento
Que en un cotorro
Que era una gloria vivían los dos.
Y dice el barrio que él la quería
Con la fe misma
Que puse en vos.
Pero una noche
Que pa' un laburo
El taura manso
Se había ausentao,
Prendida de otros
Amores perros
La mina aquella
Se le había alzao.

Dicen que dicen, que desde entonces
Ardiendo de odio su corazón,
El taura manso buscó a la paica
Por cielo y tierra como hice yo.
Y cuando quiso, justo el destino,
Que la encontrara, como ahura a vos,
Trenzó sus manos en el cogote
De aquella perra... como hago yo...

Deje vecino... no llame a nadie.
No tenga miedo, estoy desarmao.
Yo sólo quise contarle un cuento,
Pero el encono me ha traicionao...
Dicen que dicen, vecino, que era
Todo ternura la que murió...
Que jué el orgullo de un mozo taura
De fondo bueno... como era yo...

Dizem Que Dizem

Vem, chega mais perto, não tenha medo,
Que eu tô com a mão fechada, já viu, né?
Eu só quero te contar uma história
De uns amores que eu vi de camarote.
Dizem que dizem, que era uma mina
Toda ternura, como você era,
Que foi o orgulho de um cara firme
De bom coração... como eu sou.

E bate a história
Que num barraco
Que era uma glória, os dois viviam.
E diz o bairro que ele a amava
Com a mesma fé
Que eu coloquei em você.
Mas uma noite
Que pra um trampo
O cara tranquilo
Tinha se ausentado,
Pegando outros
Amores furados
Aquela mina
Se levantou.

Dizem que dizem, que desde então
Ardendo de ódio seu coração,
O cara tranquilo procurou a mina
Por céu e terra como eu fiz com você.
E quando quis, justo o destino,
Que a encontrasse, como agora com você,
Entrelaçou as mãos no pescoço
Daquele cachorro... como eu faço...

Deixa pra lá, vizinho... não chama ninguém.
Não tenha medo, tô desarmado.
Eu só quis contar uma história,
Mas a raiva me traiu...
Dizem que dizem, vizinho, que era
Toda ternura a que morreu...
Que foi o orgulho de um cara firme
De bom coração... como eu sou...

Composição: Alberto Ballestero / Enrique Delfino