No gesso do mundo, no vácuo morno
O tédio desenha o meu próprio contorno
Nasci incompleto, retalho e ferida
Buscando a peça da cena esquecida
Grito no escuro, o eco me invade
Estranho no ninho da tal sanidade
E o medo que trava o passo de quem se calou
É o mesmo veneno que a norma serviu e injetou
Pois quem se limita no raso não sente o que o vento
Soprou
Só os loucos sabem que a vida é pra ser vivida
Só os loucos cruzam a linha da alma ferida
Maluco é quem escolhe o deserto do eu
Quem não é louco, já morreu
Quem não é louco, já morreu
Vocês são os santos vivendo em bordéis
Pintando a mentira em tons de papéis
A inveja é o preço de ser de verdade
Blindado contra a sua mediocridade
Desafio a lógica, eu sou a contramão
O seu julgamento é o degrau do meu chão
Só os loucos sabem que a vida é pra ser vivida
Só os loucos cruzam a linha da alma ferida
Maluco é quem escolhe o deserto do eu
Quem não é louco, já morreu
Quem não é louco, já morreu
Eu sou o limite do meu próprio universo
Onde o caos é rima e o abismo é verso
Ser normal é o cárcere, a loucura é o destino
Um brinde aos que ousam, eu sou o que assino
Só os loucos sabem que a vida é pra ser vivida
Só os loucos cruzam a linha da alma ferida
Maluco é quem escolhe o deserto do eu
Quem não é louco, já morreu
Quem não é louco, já morreu
Quem não é louco, já morreu
(Já morreu)
Quem não é louco, já morreu
(A vida é pra ser vivida)
Quem não é louco, já morreu