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Surungo do Betinho (part. Patrick Relingue)

Alessandro Guterres

Bota lhe as garra na tua zaina tio Januário
Que o nego Mário já afinou as corda do pinho
Coiceia o ninho e da um tapa no teus traje
Que hoje tem baile lá no galpão do betinho

Surungo grosso desse de levanta poeira
Dança de espora e mango no cabo da faca
Ninguém tem marca não tem perigo de estouro
Serve até bolo no meio da madrugada

As bem pintadas lá da linha descem tudo
Vem pro surungo procurando alguma farra
E a peonada salta pegando da estância
Com a esperança de bailar de cola atada
Por certa hora já dançamos com a mais feia

Na borracheira o que vir daí é lucro
O índio xucro por pachola não se entrega
Numa esfrega de tirar viúva do luto
Lá pelas tantas um já se passa no trago

E vem enjoado com perfume da Jurema
Fiquei com pena quando vi o resultado
Do vomitado no colo da tia pequena
E o entreveiro já trancou os quatro cantos
E vinha o Santo com uma veia no compasso

E no cansaço ele gritava numa ânsia
Me dalhe cancha que levo o coro nos meus braço
E o baile veio já chegando no final
E o pessoal não querendo arrendar o pé

Se Deus quiser mês que vem temo de novo
E que do povo venha muito mais muié
A peonada deu de volta pra Querência
Os de experiência tudo arrumaram namoro
Só via o choro de quem não arrumou nada

E vai pra casa só com um pedaço do bolo
Se precisar de informações sobre os intérpretes ou cifras da música, me avise!

Composição: Alessandro Guterres e Patrick Relingue