Me arrumei direitinho, botei minha melhor roupa
Fui fazer a entrevista com a esperança na mão
Mas o olhar do sujeito me disse muita coisa
Antes de ver meu currículo, me fez a marcação
Ajeitou a gravata, olhou meu endereço
Como se a minha origem ditasse meu preço!
Não olhou minha capacidade nem a minha vontade
Ignorou meu esforço e o meu suor
Para a mente tacanha de quem não tem igualdade
Quem vem da periferia não pode ser melhor
Mas saí de cabeça erguida daquela sala
Pois a minha dignidade ninguém me escala!
O meu cepê éfe não define o meu valor!
Trabalho com honra, não importa de onde eu sou!
Respeite o meu povo, respeite a minha cor!
A minha história é feita de luta e de amor!
Moro no morro, na favela, no asfalto ou na rua
A honestidade é o bem que ninguém me tira
A caminhada é pesada, a batalha continua
Mas a minha verdade destrói a sua mentira!
O meu cepê éfe não define o meu valor!
Trabalho com honra, não importa de onde eu sou!
Respeite o meu povo, respeite a minha cor!
A minha história é feita de luta e de amor!
Dignidade não se compra na farmácia, meu irmão vem de berço