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Canto de Ninguém

Alfredo Zitarrosa

Canto de Nadie

Milonga, estabas temblando
En mi corazón
Acurrucadita como un niño
Acostumbrado al dolor

Carne de otras milongas, vos sos
Canto de nadie
Y en el mismo aire
Te crecen dos alas de consolación
Llena de hondos silencios
Memoria cruel del amor
Sos mi flor de cartón
Rosa entregada con cada canción

Milonga, aquí en la guitarra
Estrujándola
Hay una mano blanca
Que viola y arranca tu rosa y se va

Fue tan fácil robarte esa flor
Que ni la mira
La huele y la tira
Sus ansias suspiran por otra mejor

Muñequita de alambre
Tu emocionada canción
No es más que una ilusión
Sangre sin hambre, dolor sin dolor

Gajito de enredadera
Milonga fiel
Ya no hay quien te quiera
No es de primavera tu flor de papel

Canto de Ninguém

Milonga, você estava tremendo
No meu coração
Aconchegadinha como uma criança
Acostumada à dor

Carne de outras milongas, você é
Canto de ninguém
E no mesmo ar
Te crescem duas asas de consolação
Cheia de profundos silêncios
Memória cruel do amor
Você é minha flor de papelão
Rosa entregue com cada canção

Milonga, aqui na guitarra
Apertando ela
Tem uma mão branca
Que viola e arranca sua rosa e vai embora

Foi tão fácil roubar essa flor
Que nem olha
Cheira e joga fora
Seus anseios suspiram por outra melhor

Bonequinha de arame
Sua canção emocionada
Não é mais que uma ilusão
Sangue sem fome, dor sem dor

Galho de trepadeira
Milonga fiel
Já não há quem te queira
Não é de primavera sua flor de papel

Composição: Alfredo Zitarrosa