Ele caminha nos entornos de Beagá
No sopro da manhã é quando aparece
Um vulto branco, olhar sem direção
O Cego da Contorno, quem o reconhece?
Seu filho o trancou no Galba Velloso
Sua herança era o que o maldito queria
Vendeu a sua casa, apagou a sua história
Hoje ele vaga, procurando o que já não havia
Arranha-céus no lugar do seu lar
Um véu se ergue, dissolvendo na neblina
Ele se funde com a própria Avenida
O Cego da Contorno, sombra que caminha
Ninguém sabe seu nome ninguém jamais se importou
O Cego da Avenida Contorno é fantasma vivo cidade que nunca o enxergou
Tateando paredes, moldando seu adorno
Assim segue o espectro da Contorno
Homens acendem cigarros em quartos de damas
Bares fechados, silêncio entre tramas
Crianças despertam com olhos cansados
Mas o cego caminha em passos nublados
Ninguém sabe seu nome
Ninguém jamais se importou
O Cego da Avenida Contorno é fantasma vivo
Na cidade que nunca o enxergou
E eu observo
O Cego da Contorno de um Belo Horizonte que ninguém vê
Ele não tenta se esconder
O Cego da
O Cego da
Em busca daquilo que é seu
O Cego da Contorno
Ele é a própria cidade que se perdeu