Com 15 anos de idade eu cheguei nessa fazenda
Campeei 50 anos fui vaqueiro de encomenda
Hoje a velhice chegou, vou entregar a fazenda
Conversei com o meu patrão
Pra ele me arranjar
Um vaqueiro de verdade pra assumir o meu lugar
Que o homem da minha idade
Não pode mais campear
Ele me disse chorando
Com o tempo ninguém caçoe
Se não tem mais condição
De correr e nem pegar boi
Difícil é encontrar vaqueiro
Do jeito que você foi
Trabalhou junto comigo
Sem nunca me aborrecer
Me deu muita experiencia
Fortuna e muito prazer
Vaqueiro assim desse jeito
É difícil a gente ver
Nunca perdi uma réis
Que morresse no aterro
Nunca me deu um desgosto
Nunca cometeu um erro
Tá com mais de cinco anos
Que não morre um bezerro
Eu fui sincero contigo
Eu nunca quebrei o trato
Peguei muito boi correndo
No límpido ronco do mato
Então me dê de presente
O seu cavalo retrato
Cavalo bom desse jeito
Eu faria tudo por ele
Nunca me deu uma queda
Nunca tive raiva dele
Pra eu não ver outro vaqueiro
Pegar boi montado nele
Ele ficou tão nervoso
Que que a fala tremeu
Você se esforçou tanto
Defendendo o que é meu
Pode ficar sossegado
Que o cavalo agora é seu
Ô vida de gado
Vou aposentar o cavalo
A roupa de couro a sela
O chapéu e as esporas
A cortadeira amarela
Vaqueiro nenhum tem gosto
De passar mais a mão nela
Não encontrei mais o curral
E não limpei mais cocheira
Não liguei mais o motor
Pra puxar a forrageira
Mais quando as vacas me ver
Corre para o pé da porteira
Me despedi da fazenda
E do meu patrão amado
Dos colegas lá do campo
Que corremos no passado
Dei adeus a profissão
E nunca mais puxei gado