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Nunca Mais Vi Minha Amada

Amado Edílson

Fui passear outro dia
No mesmo ônibus que eu ia
Uma garota encontrei
Simpática, atraente e bela
Eu me apaixonei por ela
E pertinho dela fiquei

E por uma brincadeira
Eu tropecei na cadeira
E segurei na sua mão
Ela mim olhou sorrindo
Aquele sorriso lindo
Conquistou meu coração

Cheguei pra pertinho dela
Perguntei o nome dela
Ela me disse é Helena
Quando ela disse assim
Eu disse dentro de mim
Vou ganhar essa morena

Perguntei tu és casada
Ela respondeu: Que nada!
Nunca casei com ninguém
Pus a mão no ombro dela
Sorrindo eu disse pra ela
Eu sou solteiro também

Ela pegou minha mão
Depois me deu um cartão
Com o endereço dela
Perguntou o meu também
Eu lhe respondi meu bem
Eu moro em uma favela

Ela disse eu não me importa
Foi se dirigindo a porta
E disse estou atrasada
Olhou pra mim e sorriu
Deu-me um beijinho e saiu
E desceu na outra parada

Pelo vidro da janela
Fiquei olhando pra ela
Pra ver pra onde ela ia
O carro saiu de novo
No meio daquele povo
Eu não tive mais alegria

O ônibus muito lotado
E eu impressionado
Somente pensando nela
Me descuidei da cadeira
Roubaram minha carteira
E o endereço dela

Quando eu desembarquei
Procurei não encontrei
A carteira e o cartão
Fiquei desorientado
Foi um punhal afiado
Dentro do meu coração

Perdi o seu endereço
Sua rua eu não conheço
E nem a família dela
É grande o meu desespero
Procurei no bairro inteiro
E nunca mais encontrei ela

Todo dia eu passo lá
Passo pra lá e pra cá
E fico na mesma parada
O que mais me entristece
É que ninguém não conhece
Onde mora a minha amada

Me escoro na esquina
Todo carro que buzina
Olho para ver se ela vem
Ninguém sabe o que eu padeço
Perdi o seu endereço
E minha esperança também

Tô pra perder o sossego
Em todo lugar que chego
É somente pensando nela
Sento no banco da praça
Toda garota que passa
Fico pensando que é ela

Quando vou olhar não é
Estou pra perder a fé
Pelas ruas da cidade
Não posso me controlar
Se ela não mais voltar
Irei morrer de saudade!