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Contigo

Andrés Calamaro

Contigo

Yo no quiero un amor civilizado, con recibos y escena del sofá;
yo no quiero que viajes al pasado y vuelvas del mercado con ganas de llorar.
Yo no quiero vecinas con pucheros; yo no quiero sembrar ni compartir;
yo no quiero catorce de febrero ni cumpleaños feliz.
Yo no quiero cargar con tus maletas; yo no quiero que elijas mi champú;
yo no quiero mudarme de planeta, cortarme la coleta, brindar a tu salud.
Yo no quiero domingos por la tarde; yo no quiero columpio en el jardín;
lo que yo quiero corazón cobarde es que mueras por mi.
Y morirme contigo si te matas, y matarme contigo si te mueres;
porque el amor cuando no muere mata
porque amores que matan, nunca mueren.
Yo no quiero juntar para mañana, no me pidas llegar a fin de mes;
yo no quiero comerme una manzana dos veces por semana, sin ganas de comer.
Yo no quiero calor de invernadero; yo no quiero besar tu cicatriz;
yo no quiero París con aguacero ni Venecia sin ti.
No me esperes a las doce en el juzgado; no me digas "Volvamos a empezar";
no yo quiero ni libre ni ocupado, ni carne ni pecado, ni orgullo ni piedad.
Yo no quiero saber porque lo hiciste; yo no quiero contigo ni sin ti;
lo que yo quiero muchacha de ojos tristes, es que mueras por mi.
Y morirme contigo si te matas, y matarme contigo si te mueres;
porque el amor cuando no muere mata
porque amores que matan, nunca mueren.

Contigo

Eu não quero um amor civilizado, com contas e cena do sofá;
eu não quero que você viaje pro passado e volte do mercado com vontade de chorar.
Eu não quero vizinhas com cara de brava; eu não quero plantar nem compartilhar;
eu não quero quatorze de fevereiro nem feliz aniversário.
Eu não quero carregar suas malas; eu não quero que você escolha meu shampoo;
eu não quero mudar de planeta, cortar meu cabelo, brindar à sua saúde.
Eu não quero domingos à tarde; eu não quero balanço no jardim;
o que eu quero, coração covarde, é que você morra por mim.
E eu morrer contigo se você se matar, e me matar contigo se você morrer;
porque o amor quando não morre mata
porque amores que matam, nunca morrem.
Eu não quero juntar pra amanhã, não me peça pra chegar no fim do mês;
eu não quero comer uma maçã duas vezes por semana, sem vontade de comer.
Eu não quero calor de estufa; eu não quero beijar sua cicatriz;
eu não quero Paris com chuva nem Veneza sem você.
Não me espere às doze no tribunal; não me diga "Vamos recomeçar";
eu não quero nem livre nem preso, nem carne nem pecado, nem orgulho nem compaixão.
Eu não quero saber por que você fez isso; eu não quero com você nem sem você;
o que eu quero, garota de olhos tristes, é que você morra por mim.
E eu morrer contigo se você se matar, e me matar contigo se você morrer;
porque o amor quando não morre mata
porque amores que matam, nunca morrem.

Composição: