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Quando Cai um Pobre

Ángel Parra

Cuando cae un pobre

Hay quien se levanta al amanecer
y se va al trabajo hasta oscurecer,
saluda a su hijo llamado Miguel
y toma una micro después del café.
Su mujer no sabe cuándo va a volver.

Luego al mediodía, cemento y arena
sus manos levantan, cualquier fortaleza,
hermosos palacios que no habitará,
jefe de cuadrilla, amigo ejemplar.
Su mujer no sabe si regresará.

Al caer la tarde, con sus compañeros,
con paso seguro se dirige al centro.
Grita sus consignas, cual paloma al vuelo
flamean banderas, nadie está de duelo.
Su mujer no sabe si volverá a verlo.

Pero de repente cruza su camino
una bala infame le apaga el sentido.
¿Quién es el culpable? ¿Cuál el asesino?
preguntan mil voces, ¡que venga el castigo!
Su mujer no sabe que es él el caído.

Llegó la noticia que habla de su muerte,
sus ojos no creen al reconocerle.
Apenas veinte años por aquí pasó,
sus hermanos lloran en la construcción.
lágrimas de hombre, de rabia y dolor.

¿Cuál es la justicia cuando cae un pobre
que trabaja y lucha? pregunto a la corte.
Es el cementerio y nadie responde,
o es que ya están muertos, que no ven ni oyen
que han matado a un padre, que ha caído un hombre.

Quando Cai um Pobre

Tem quem se levanta ao amanhecer
E vai pro trampo até escurecer,
Saúda seu filho chamado Miguel
E pega um busão depois do café.
Sua mulher não sabe quando vai voltar.

Depois ao meio-dia, cimento e areia
Suas mãos levantam, qualquer fortaleza,
Belos palácios que não vai habitar,
Chefe de equipe, amigo exemplar.
Sua mulher não sabe se vai retornar.

Ao cair da tarde, com seus parceiros,
Com passo firme se dirige ao centro.
Grita suas palavras, como pomba no ar
Bandeiras tremulam, ninguém tá de luto.
Sua mulher não sabe se vai vê-lo de novo.

Mas de repente cruza seu caminho
Uma bala traiçoeira lhe tira o sentido.
Quem é o culpado? Qual é o assassino?
Perguntam mil vozes, que venha o castigo!
Sua mulher não sabe que ele é o caído.

Chegou a notícia que fala de sua morte,
Seus olhos não acreditam ao reconhecê-lo.
Mal tinha vinte anos por aqui passou,
Seus irmãos choram na construção.
Lágrimas de homem, de raiva e dor.

Qual é a justiça quando cai um pobre
Que trabalha e luta? Pergunto ao tribunal.
É o cemitério e ninguém responde,
Ou é que já tão mortos, que não veem nem ouvem
Que mataram um pai, que caiu um homem.

Composição: Angel Parra