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O ferroviário

Ángel Parra

El ferroviario

Recuerdo cuando era niño
a mi padre caminando,
volviendo entrada la noche
del trabajo, fatigado.

Recuerdos, bellos recuerdos,
de mi viejo tengo yo.

Lo recuerdo en el andén,
brillante chaqueta 'e cuero,
maquinista de la tierra,
fogonero de los cielos.

Cuando le tocaba noche
volvía de madrugada,
su pelo lleno de estrellas
mi ventana despertaba.

Su presencia militante
le clavó muchas espinas,
relegado por los montes
fue a curarse sus heridas.

El humo de aquellos trenes,
el tiempo de la estación,
me lo traen al recuerdo
y el recuerdo hace canción.

Quisiera darle las gracias
por lo que a mí me enseñó:
que la justicia es el pueblo,
que la mujer el amor.

O ferroviário

Lembro quando era criança
meu pai voltando pra casa,
do trabalho, já de noite,
fadigado, cansado.

Lembranças, belas lembranças,
do meu velho eu tenho.

Eu o vejo na plataforma,
com sua jaqueta de couro,
maquinista da terra,
fogonero dos céus.

Quando era noite pra ele,
vinha de madrugada,
seu cabelo cheio de estrelas
acordava minha janela.

Sua presença militante
levou muitas espinhas,
relegado pelas montanhas
foi curar suas feridas.

A fumaça daqueles trens,
o tempo da estação,
me trazem à memória
e a memória faz canção.

Queria agradecer
do que ele me ensinou:
que a justiça é do povo,
e que a mulher é o amor.

Composição: Angel Parra