El tordo
Al que me mire frente a frente
lo mataré con dos cuchillos,
con dos relámpagos de furia,
con dos helados ojos negros.
Yo no nací para cautivo.
Tengo un ejército salvaje
y una milicia militante,
un batallón de balas negras,
no hay sementera que resista.
Vuelo, devoro, chillo y paso.
Yo no nací para cautivo.
Cargo y remonto con mil alas,
nada puede parar el brío,
el orden negro de mis plumas.
Tengo alma de palo quemado.
Yo no nací para cautivo.
Vuelo, devoro, chillo y paso.
Plumaje puro de carbón,
alma y traje tengo negros,
por eso bailo en el aire blanco.
Plumaje puro de carbón.
O Tordo
Quem me olhar de frente
vou matar com dois facões,
com dois relâmpagos de fúria,
com dois olhos negros congelados.
Eu não nasci pra ser preso.
Tenho um exército selvagem
e uma milícia militante,
um batalhão de balas negras,
não há plantação que resista.
Eu voo, devoro, grito e passo.
Eu não nasci pra ser preso.
Carrego e subo com mil asas,
nada pode parar meu ímpeto,
o padrão negro das minhas penas.
Tenho alma de pau queimado.
Eu não nasci pra ser preso.
Eu voo, devoro, grito e passo.
Penas puras de carvão,
sou negro de alma e traje,
por isso danço no ar branco.
Penas puras de carvão.
Composição: Angel Parra / Pablo Neruda