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Estrangeira

Ángel Parra

Extranjera

Oí tu acento lejano
y tu aroma natural,
brasa viva tu mirada
la cintura, tu volcán.

Hasta hoy bendigo tu cuerpo
aunque no nos vimos más,
la noche baila en el vino,
el mundo empezó a girar
en un frotarse tan lento
buscándose penetrar.
Sin reconocer fronteras
fuimos un solo huracán.

En ésta sí, en ésta no,
en tu maraña me pierdo yo.

La tierra nos llama a gritos
plenos de urgencia animal
sobre mi cuerpo montabas,
me comenzaste a domar
tragándote las distancias,
galopar y galopar.

Húmedo, beso tus labios,
presos de tanto esperar,
mis manos bajo tu enagua
siente que me quieres dar
y pedir algo esta noche
aunque no nos veamos más.

Baja tu boca encendida,
dices "voy al manantial",
y lo divino es humano:
me vierto en la inmensidad.
Todos mis sentidos beben
en tu copa de cristal,
te devuelvo tus deleites,
no me los voy a robar,
mi boca busca y encuentra
tu vertiente original,
la que después de esa noche
no vería nunca más.

Estrangeira

Oi, seu sotaque distante
E seu aroma natural,
Fogo vivo no seu olhar
A cintura, seu vulcão.

Até hoje eu abençoo seu corpo
Mesmo que não nos vimos mais,
A noite dança no vinho,
O mundo começou a girar
Num esfregar tão lento
Buscando se penetrar.
Sem reconhecer fronteiras
Fomos um só furacão.

Nessa sim, nessa não,
Na sua teia eu me perco.

A terra nos chama aos gritos
Plena de urgência animal
Sobre meu corpo você montava,
Começou a me domar
Engolindo as distâncias,
Galope e galope.

Úmido, beijo seus lábios,
Presos de tanto esperar,
Minhas mãos sob sua saia
Sente que quer me dar
E pedir algo esta noite
Mesmo que não nos vejamos mais.

Desça sua boca acesa,
Diz: "vou ao manancial",
E o divino é humano:
Eu me derramo na imensidão.
Todos os meus sentidos bebem
Na sua taça de cristal,
Te devolvo seus prazeres,
Não vou roubar pra mim,
Minha boca busca e encontra
Sua fonte original,
A que depois daquela noite
Nunca mais veria.

Composição: Angel Parra