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Huararé

Ángel Parra

Huararé

Oigo mil voces que dicen
calla, no vale la pena,
que no quiero tus canciones,
vamos a cambiar de tema.

Caen las filosofías
y los muros de cemento,
los puños y las banderas
y todo el mundo contento.

Ay, huararé, huararé y huararé,
que yo ya tengo también mi huararé.

Quédate tranquilo en casa,
no hay motivo pa' cantar.
Con esta rueda 'e carreta
yo no quiero comulgar.

Muertos de frío Rumania,
mueren por droga en Berlín,
comiendo de vez en cuando
los cesantes en Madrid.

Y me dices que no cante,
que no hay nada que decir,
que son pobres porque flojos
y que de algo hay que morir.

Que en esta vida el más fuerte
sólo podrá resistir
que la dignidad no existe,
que la libertad es así.

Yo antes de quitar la tierra
voy a seguir molestando
amargándole el banquete
y el discurso con mis cantos.

Huararé

Ouço mil vozes que dizem
cala, não vale a pena,
que não quero suas canções,
vamos mudar de assunto.

Caem as filosofias
e os muros de cimento,
os punhos e as bandeiras
e todo mundo contente.

Ai, huararé, huararé e huararé,
que eu também já tenho meu huararé.

Fica tranquilo em casa,
não há motivo pra cantar.
Com essa roda de carroça
não quero me envolver.

Mortos de frio na Romênia,
morrem por droga em Berlim,
comendo de vez em quando
os desempregados em Madri.

E você me diz pra não cantar,
que não há nada a dizer,
que são pobres porque são vagabundos
e que de algo tem que morrer.

Que nesta vida o mais forte
só poderá resistir
que a dignidade não existe,
que a liberdade é assim.

Eu, antes de tirar a terra,
vou continuar incomodando
amargurando o banquete
e o discurso com meus cantos.

Composição: Angel Parra