Sempre achei que Sartre via muito
Por olhar pra dois lados
Então eu entendi
Ele nunca fez isso
Programado de caso pensado
Tio da ciência
Com mais fé que institutos credenciadizados
Disse
Deus não jogava dados
Diferente de Fíodor
Quebrado
Que jogava
Entrava comprado
Defendia Deus no pecado
Ele escolhia um lado
É tudo bagunçado
Fora de posição
Muito camuflado
Quem diz ser o que é
Geralmente é o contrário
Poucos nulos reais
Não estacam a hemorragia
E sagram
Uma sangria lenta
Calma
Quase desleal
Mas é pré-requisito
Pro sucesso
Não sensorial
É tudo enfeitado
Dentro do filme emocionado
Quem diz ser vilão
Na ficção
É humanizado
Poucos heróis são homens
Nada é real
Os personagens sagram
Amam o script
Do coadjuvante
Ao personagem principal
Sempre achei que Sartre via muito
Por olhar pra dois lados
Mas era estrabismo
Não nada calculado
Um carinha da ciência
Depois de estudado
Quando viu o resultado
Caiu ajoelhado
Diziam por séculos
É tudo aleatório
Calou pra não perder
Mas viu o contraditório
É tudo organizado
De caso pensado
Quem diz não ter medo
Tá sempre assustado
Poucos nulos reais
Não estacam a hemorragia
E sagram
Uma sangria lenta
Calma
Quase desleal
Mas é pré-requisito
Pro sucesso
Não sensorial
É tudo enfeitado
Dentro do limite fixado
Quem vê a ficção
Não se sente controlado
Poucos homens heróis
Isso é inegável
Os personagens que sagram
São sempre mutilados
Percebem que o sucesso
Não é pra hoje
Sentem que o presente
É um futuro distante
Caras mais legais
Não perceberam
Que conquistam corações
Não como queriam
Nem por suas razões
Estão sempre ocupados
Sempre amando alguém
Se perdem em rumos
Muito além
Do beijo
Do abraço
Que sempre ficam sem
Parece falta de sorte
Sempre fora da explosão
Mal requisitados
Nos autos de uma ação
Pra quem já viu demais
Nada admira
Vê permafrost
Dando risadinhas
No momento crucial
No apagar das luzes
Da tragédia à comédia
No Sol e nas nuvens
Não tem pra onde ir
No ridículo ruir
O que é claro
O que é evidente
Sempre vai surgir