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Céu, Concreto e Poesia

Ao Léu

Tem palavras que o mundo já cansou de ouvir
Mas nunca foram ditas de verdade aqui
Ficam presas no peito, feito vento no ar
Só um poeta entende o que não quer falar

Olho o tempo passando em silêncio e cor
Cada verso escondendo um pouco de dor
Mas também tem beleza no que não se vê
Na coragem guardada dentro de você

E eu sigo tentando entender
Esse caos que ensina a viver

Abre a janela, deixa o som entrar
É a juventude tentando se encontrar
Nem sempre a gente vive como quer viver
Mas vale a pena ao menos tentar ser

E no pôr do Sol que beija o chão
Brasília vira oração
Entre o concreto e o coração
A gente aprende a sentir

O céu azul parece que fala com Deus
E o silêncio ecoa nos sonhos meus
Entre eixos, entre linhas, entre luz e calor
Tem história pulsando em cada trabalhador

Não é só poder, nem só decisão
É suor que constrói cada direção
Das satélites nasce um novo olhar
Gente simples tentando recomeçar

E se a dor também faz parte do caminho
A arte vira abrigo, nunca estamos sozinhos

Abre a janela, deixa o som entrar
É a juventude tentando se encontrar
Nem sempre a gente vive como quer viver
Mas vale a pena ao menos tentar ser

E no pôr do Sol que beija o chão
Brasília vira oração
Entre o concreto e o coração
A gente aprende a sentir

Brasília não é só política, não
É traço de Oscar Niemeyer riscando o chão
É fé que vem de Dom Bosco em visão
É verso eterno de Renato Russo na canção
É quebrada, é luta, é quem acorda cedo
É quem pega busão enfrentando o medo
É o Plano, o Entorno, é o povo na missão
Transformando concreto em inspiração
E se um dia faltarem palavras pra dizer
Que a música fale por mim e por você
Porque viver é mais que entender
É sentir, cair e ainda querer
No céu de Brasília eu vou me perder
Pra me encontrar em você

Composição: Filipe Ribeiro, Luís Gustavo Alves, Fernando Monte, Rafael de Lima Moraes