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Garota do Cerrado

Ao Léu

Ela brota no concreto como flor no asfalto quente
Céu de fogo refletindo no olhar meio insolente
Tem o vento do Planalto bagunçando o seu cabelo
E um sorriso que é decreto: Me perde ou te cancelo

No calor de quarenta ela congela na resposta
De manhã é primavera, à tarde já virou desgosto
Ironia no batom, sarcasmo no caminhar
Ela ri da tua cara antes mesmo de você falar

Ela muda como o tempo lá no Eixão num domingo
Se você acha que entendeu, já dançou, caiu sozinho
É trovão no céu aberto, é calmaria que não vem
Garota do Cerrado não pertence a ninguém

Garota do Cerrado, raio-x no meu juízo
Tem o clima de Brasília: Quatro estações no sorriso
Sol que queima, chuva ácida, vendaval no coração
Quer amar? Traz paciência, ou pede reconsideração

Garota do Cerrado, tempestade em salto alto
Um enigma no concreto, um delírio no Planalto
Hipérbole ambulante, exagero natural
Ela é tipo um decreto: Impossível ser igual

Ela dança no asfalto como se fosse carnaval
Mas te ignora com classe num silêncio magistral
Fala pouco, pensa muito, corta fundo sem gritar
Te desmonta em três palavras só pra te ver remontar

Tem humor de céu aberto: Sol, granizo e neblina
Te abraça às oito e às nove já te deixa na esquina
É miragem no cerrado, é mirante sem visão
Se você acha que entendeu, parabéns pela ilusão

Ela é Brasília em pessoa: Planejada pra confundir
Reta demais pra ser simples, complexa pra traduzir
Se entrega? Nem com reza, nem com mapa ou GPS
Só se perde quem insiste, e ela adora esse stress

Uh, ela vem, ela vai
Clima muda, nunca cai
Se é amor ou se é cilada
Ela ri e não dá nada

Garota do Cerrado, raio-x no meu juízo
Tem o clima de Brasília: Quatro estações no sorriso
Sol que queima, chuva ácida, vendaval no coração
Quer amar? Traz paciência, ou pede reconsideração

Ela é caos organizado, é poesia marginal
Garota do Cerrado, fenômeno nacional

Composição: Luís Gustavo Alves, Fernando Monte, Rafael de Lima Moraes