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O Sol Atrás do Cinza

Ao Léu

Abro a janela, mas o céu não quer abrir
O peso de ontem insiste em não dormir
Dizem que eu sou o que eu conquistei
Mas ninguém vê as noites que eu não descansei
Me sinto preso em rótulos, molduras de papel
Tentando ler os sinais num pedaço de céu
Que insiste em derramar essa chuva no meu peito
Enquanto eu busco um dia livre, do meu jeito

E o relógio na parede é um juiz cruel
Me cobrando um futuro que eu não pus no papel
Eu só queria um minuto sem ter que explicar
Por que a bagunça aqui dentro insiste em ficar

Eu quero o Sol, a clareza que cura
A paz que não pede licença e nem fatura
Viver um dia de cada vez, sem medo do final
Longe desse barulho, dessa pressão social
Eu sei que a chuva molha, e o cinza faz morada
Mas o Sol tá lá em cima, na curva da estrada
Mesmo que as nuvens tentem me convencer
Que a luz hoje esqueceu de aparecer

Às vezes eu volto, onde o tempo era cor
Onde o riso era fácil e não tinha esse rigor
O quintal da infância, o café com os amigos
Onde os erros eram breves e não eram castigos
Eu queria voltar, consertar aquele nó
Aquela escolha errada que me deixou tão só
Apagar o rastro que me trouxe até aqui
E abraçar a criança que eu esqueci

Mas não dá pra rebobinar o filme do que foi
O arrependimento é um peso que a gente rói
O ontem é saudade, o amanhã é ansiedade
E o agora é essa briga entre a sombra e a claridade

Eu quero o Sol, a clareza que cura
A paz que não pede licença e nem fatura
Viver um dia de cada vez, sem medo do final
Longe desse barulho, dessa pressão social
Eu sei que a chuva molha, e o cinza faz morada
Mas o Sol tá lá em cima, na curva da estrada
Sim, o Sol brilha forte atrás desse véu
E eu vou aprender a ser dono do meu céu

Um dia de cada vez
Só por hoje, sem rótulos
O Sol tá lá, eu sei que está

Composição: Rafael Moraes, Luís Gustavo Alves, Fernando Monte