Eu ando por ruas que não sei voltar
Carrego no peito o que não dá pra explicar
Um vento me chama, me leva além
Entre o que eu fui e o que eu sou também
No vidro da noite eu vejo quem fui
Reflexo distorce, mas algo flui
É tudo tão perto, mas longe de mim
Um passo no escuro, começo ou fim
E se eu me perder, deixa acontecer
Talvez me encontre no meio do caos
Se o mundo girar, eu vou aprender
A dançar no ritmo desigual
Eu vou, eu vou sem olhar pra trás
Misturo o som, misturo sinais
Se a vida é louca, eu vou também
No grave da alma, ninguém me contém
Eu vou, eu vou sem direção
No beat do peito, na contramão
Se tudo muda, eu mudo mais
Sou feito de erros e ideais
Cidade acesa, mente a mil
Cada esquina um novo perfil
Risos falsos, verdades cruas
No jogo sujo dessas ruas
Mas tem poesia no concreto, sim
Tem cor no cinza dentro de mim
Se o mundo cobra, eu não vou pagar
Prefiro viver do que só passar
Silêncio grita dentro do som
Tudo se encaixa e sai do tom
Se nada faz sentido, então
Eu faço o meu próprio refrão
Eu vim do nada, sem mapa, sem guia
Só com coragem, um pouco de ousadia
Misturo o rock com a batida do gueto
Verso sincero, direto, sem teto
Se querem padrão, eu quebro a forma
Minha arte viva nunca se conforma
Entre o caos e a calma eu vou navegando
Perdido no tempo, mas me encontrando
Eu vou, eu vou sem olhar pra trás
Misturo o som, misturo sinais
Se a vida é louca, eu vou também
No grave da alma, ninguém me contém
Eu vou, eu vou sem direção
No beat do peito, na contramão
Se tudo muda, eu mudo mais
Sou feito de erros e ideais