O Vale dos Reis se abre, como um livro de pedra ancestral
Um santuário de silêncio, sob o olhar imortal
Lá no sul do Egito, o portal do Ocaso e do Renascer
Onde o Kemet enterrou o seu mais alto ser
O Nilo corre lá embaixo, espelho prateado e sereno
Mas, nas profundezas, reside um destino eterno
Não há torres que se elevem, nem luz que possa guiar
Apenas a boca escura das tumbas, a nos devorar
Vale dos Reis, um segredo pintado na alma do lugar
Onde a Eternidade escolheu seu refúgio para morar
O Faraó vestido em pó, não perde sua coroa
E o Sol de Rá se inclina, beijando a rocha
Da antiguidade ecoa!
No templo, entre Anúbis e os Hieróglifos de ouro
A Poesia da Morte, guardada como um tesouro
Descendo os degraus, o ar se torna denso, quase líquido
As cores nas paredes, um canto pictórico nítido
O Livro das Portas, a jornada da alma na noite
Onde o Ba e o Ka se separam, e a luz não tem açoite
Vemos Osíris coroado, a balança da Ma'at a pesar
E o caminho do renascimento, que o Rei há de trilhar
Em cada traço, em cada linha, a fé que nunca se esvai
Que a vida é apenas o prelúdio, antes do Sol que sai
A tumba de Tutancâmon, o milagre achado na poeira
Onde o brilho do ouro resiste, na mais secreta trincheira
Quatro sarcófagos, como caixas de magia e glória
Selando um jovem rei, eternizado na história
A maldição é o mito, mas a verdade é o fervor
Do povo que ergueu impérios, movido a crença e amor
Vale dos Reis, um segredo pintado na alma do lugar
Onde a Eternidade escolheu seu refúgio para morar
O Faraó vestido em pó, não perde sua coroa
E o Sol de Rá se inclina, beijando a rocha. Da antiguidade ecoa!
No templo, entre Anúbis e os Hieróglifos de ouro
A Poesia da Morte, guardada como um tesouro
No silêncio do Vale, escutamos o marulhar
De milhares de anos, de almas a navegar
O Kemet nos ensina que o fim é só a travessia
E a pedra fria guarda a chama da antiga magia