Num gramofone enteógeno de névoa
Manda-chuva dançava sobre o corrimão
Trazendo galáxias no bolso eterno
E labirintos na respiração
Pelos vitrais de uma confeitaria
Saltavam salamandras de veludo anil
Enquanto batatinha, sonâmbulo e elástico
Sorria ao eclipse do mês de abril
Xuxu carregava um relógio líquido
Preso no forro do paletó
E um vaga-lume metafísico
Dormindo dentro do monóculo só
Oh, gatos de pupila radiante
Saltimbancos da imaginação
Seus rabos escrevem hieróglifos
Na embriaguez da televisão
Oh, gatos de pupila radiante
Saltimbancos da imaginação
Seus rabos escrevem hieróglifos
Na embriaguez da televisão
Num elevador cheio de lírios
Subiu gênio cantando sem direção
E abriu as portas do décimo andar
Pra uma floresta de carvão e limão
As fadas brancas da madrugada
Tinham plumagem de albatroz
E bacana jogava cartas de mármore
Contra um espantalho sem voz
Perto dum lago de querosene
Espeto tocava piano em solidão
Cada nota parecia líquen
Crescendo psicodélica na escuridão
Oh, gatos de pupila radiante
Saltimbancos da imaginação
Seus rabos escrevem hieróglifos
Na embriaguez da televisão
Oh, gatos de pupila radiante
Saltimbancos da imaginação
Seus rabos escrevem hieróglifos
Na embriaguez da televisão
No fim da noite restou suspensa
Uma fumaça de jurema
E manda-chuva dormiu esparramado
Feito um delírio de poema
Oh, gatos de pupila radiante
Saltimbancos da imaginação
Seus rabos escrevem hieróglifos
Na embriaguez da televisão