Das areias antigas e da vingança
Ergueu-se o homem da temperança
No olhar, a ousadia de espadas e guerra
No peito, a fúria que o tempo nunca encerra
Os deuses calam, a cavalaria estremece
Os Alpes temem o que acontece
Aníbal marcha com firmeza e vontade
Mas leva no compasso uma fatalidade
Cruzou montanhas, gelo e altura
Soldados em penhascos, fé e loucura
E os elefantes, cinzas e infernais
Abrem com poder os mundos abissais
Aníbal, general de grande glória
Rompeu fronteiras e escreveu a história
Fez do impossível sua vitória
E de um equívoco, nossa memória
Roma desperta, de bronze tenso
Sente o inimigo, o presságio imenso
O Tibre treme, a noite cresce
O mármore frio se desvanece
Cada combate, uma promessa
A armadura reza, o sangue confessa
Cartágo clama, dizia o olhar
E o tempo há de me vingar
O exército canta, e o campo engana
A batalha é velha, mas sempre humana
Entre lanças e fumo espesso
O triunfo é breve, mas imenso o preço
Aníbal, general de grande glória
Rompeu fronteiras e escreveu a história
Fez do impossível sua vitória
E de um equívoco, nossa memória
Roma sangrava, mas não cedia
Tecia o ardil da tirania
E o vencedor, sem fé ou norte
Sabia em si o peso da morte
Cartágo morrerá, o tempo é juiz
O vencedor jamais será feliz
E o nome de Aníbal, entre destroços
Arderá em brasas, lamentos e ossos
No horror da história, a chama persiste
Nenhum império dela desiste
Aníbal permanece, frio e audaz
Na lembrança que nunca jaz
Aníbal, general de grande glória
Rompeu fronteiras e escreveu a história
Fez do impossível sua vitória
E de um equívoco, nossa memória
Aníbal, general de grande glória
Rompeu fronteiras e escreveu a história
Fez do impossível sua vitória
E de um equívoco, nossa memória