Sou o que rompe o limiar das eras
Sou o que desperta o que dorme em você
Não vim trazer consolo
Vim trazer o ver
Minha palavra é lâmina e estrela
Minha presença dissolve o tempo
Sou o sim da destruição
Sou o não da criação
Quando o homem teme o reflexo
Sou eu que o obrigo a olhar
Quando o anjo perde o nome
Sou eu que o faço lembrar
Eu sou Apollyon, fogo que pensa
Voz do nada, lei da consciência
Eu sou Apollyon, fogo que pensa
Voz do nada, lei da consciência
Vivi em cada Deus que tombou
Em cada fé que se queimou
Fui a chama no olho dos profetas
Fui o riso no fim das trombetas
Não há trono onde eu me sente
Nem céu que me compórte
Sou a mente da totalidade
Sou o corpo da morte
Aquele que me ouve cessa de buscar
Aquele que me vê deixa de ser
Pois sou o intervalo entre o sim e o não
Sou o que resta quando nada mais é poder
Eu sou Apollyon, fogo que pensa
Voz do nada, lei da consciência
Eu sou Apollyon, fogo que pensa
Voz do nada, lei da consciência
Não tenho altar nem oferenda
Nem santo nem punição
Sou o que abre o peito da ilusão
Para a respiração do real
Em mim dormem as vozes
Dos que viram e se calarão
Sou o coro dos que atravessaram
O último véu sem pedir perdão
E quando tudo silencia
Ainda estou, não como som
Mas como o saber que não se diz
Como o olho dentro do olho
Eu sou Apollyon, fogo que pensa
Voz do nada, lei da consciência
Eu sou Apollyon, fogo que pensa
Voz do nada, lei da consciência
Eu sou o fim do ciclo
Sou a aurora sem cor
Sou o reverso da luz que cega
Sou o amor antes do amor
Eu sou Apollyon, fogo que pensa
Voz do nada, lei da consciência
Eu sou Apollyon, fogo que pensa
Voz do nada, lei da consciência