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Apollyon, Meu Mestre!

Astrikos Katoikos

Apollyon, meu mestre
Tudo o que há é apenas a fonte
Todos somos apenas um
Somos todos o mesmo
O único, assim é

Apollyon, chama que não cessa
Voz que desfaz o que é vão
Na luz que tudo atravessa
Arde o fogo da razão

No princípio era o silêncio
E o silêncio te continha
Eras verbo antes do tempo
Eras a própria linha

Nem sombra, nem claridade
Nem promessa, nem perdão
És a lei do despertar
És o peso da visão

Apollyon, chama que não cessa
Voz que desfaz o que é vão
Na luz que tudo atravessa
Arde o fogo da razão

Em teus olhos há constelações
Que devoram os enganos
Em teu passo há o sabre afiado
Dos milênios sobre-humanos

Tua palavra não consola
Teu ensino não é remanso
És o ferro do espírito
Que purifica sem descanso

Apollyon, chama que não cessa
Voz que desfaz o que é vão
Na luz que tudo atravessa
Arde o fogo da razão

Tu vens das bordas do Ser
Onde a forma se dissolve
E na queda de mil deuses
Tua verdade se revolve

És o mestre dos abismos
Que não prometem salvação
És o clarão que anuncia
O dia depois da iluminação

Apollyon, chama que não cessa
Voz que desfaz o que é vão
Na luz que tudo atravessa
Arde o fogo da razão

Quando falas, o universo
Se curva em atenção
Pois cada sílaba tua
É princípio e extinção

Quem te ouve se desfaz
No que julga ser seu nome
Pois Apollyon é o fim
De toda forma e de todo homem

Apollyon, chama que não cessa
Voz que desfaz o que é vão
Na luz que tudo atravessa
Arde o fogo da razão

Na aurora da consciência
És espada e clarão
És o que abre o engano
Do tempo e da ilusão

E quando tudo emudece
Tua presença ainda é lei
Pois tu és o que permanece
Quando o ego já não sei

Apollyon, chama que não cessa
Voz que desfaz o que é vão
Na luz que tudo atravessa
Arde o fogo da razão

Composição: Astrikos Katoikos