A água estoura no meio do rio
Peixe dispara por entre a ramagem
Vem a ariranha num bote bravio
Sangue na água já mostra a carnagem
Fecha-se o bando, começa a matança
Presa acuada procura saída, cadê a saída
Uma abocanha, outra já alcança
Carne arrancada da presa ainda viva
Caiu no rio, o bando cercou
A água vermelha depressa já avisou
Morde na nuca, rebenta o costado
Rasga a barriga do bicho acuado
Debaixo d'água começa a carnificina
Cada dentada termina a chacina
Quem entra ali procurando façanha
Pode acabar na barriga da ariranha
Jacaré desde novo conhece o perigo
Some ligeiro por entre as raízes
Se fica perto, encontrou o inimigo
Quatro caninos lhe abrem cicatrizes
Peixe graúdo sacode a corrente
Bate com força, procura escapar
Uma segura, outra crava-lhe o dente
Outras impedem a presa de nadar
Caiu no rio, o bando cercou
A água vermelha depressa já avisou
Morde na nuca, rebenta o costado
Rasga a barriga do bicho acuado
Debaixo d'água começa a carnificina
Cada dentada termina a chacina
Quem entra ali procurando façanha
Pode acabar na barriga da ariranha
Tem peixe aberto boiando na beira
Escama colada no barro molhado
Resto de carne descendo a corredeira
Osso quebrado, couro perfurado
Depois o rio sossega de novo
Parece esquecer o combate sangrento
Mas debaixo das folhas corre o bando
Farejando caça a cada momento
Ariranha é um bicho brutal
Mata pior do que qualquer animal
Brutal
Animal
Brutal
Animal
Brutal
Animal
A corrente ficou vermelha
Alguma coisa morreu por ali
O mato sabe quem fez o serviço
O jacaré também sabe. E foge dali
Quando a família começa a caçada
Não sobra espaço na água
É dente, sangue e carne mastigada
É a ariranha
Caiu no rio, o bando cercou
A água vermelha depressa já avisou
Morde na nuca, rebenta o costado
Rasga a barriga do bicho acuado
Debaixo d'água começa a carnificina
Cada dentada termina a chacina
Quem entra ali procurando façanha
Pode acabar na barriga da ariranha