Além das Colunas, no Atlântico distante
Jazia um continente de vasta extensão
Senhor de ilhas e terras, triunfante
Dominado por nobre confederação
Poseidon recebeu por sorte a morada
Clito vivia no alto da colina
Por círculos de terra e água resguardada
Ali teve início a linhagem divina
De Clito nasceram dez filhos reais
Cinco pares da mesma ascendência
Atlas recebeu os domínios centrais
Gádiro, a oeste, ganhou regência
A planície era vasta, fértil, fecunda
Ao norte elevavam-se montes colossais
Vegetação copiosa crescia profunda
E havia uma fauna com incríveis animais
Atlântida, de canais monumentais
Com fontes de águas frias e aquecidas
Oricalco revestia muros reais
E as docas permaneciam concorridas
Dez reis obedeciam à lei gravada
Na coluna inscrita do templo ancestral
A antiga aliança seguia jurada
Conforme o preceito do rito real
Enquanto o divino regia a linhagem
Os bens recebiam modesta estima
Prudência e concórdia marcavam sua passagem
E a riqueza jamais lhes ficava acima
Quando o humano ganhou predominância
A antiga medida cedeu à ambição
Zeus contemplou tamanha arrogância
E aos deuses convocou para reunião
Da Líbia ao Egito avançava a campanha
Na Europa, aos tirrenos impunha sujeição
Atenas combateu aquela força tamanha
Sozinha diante da vasta agressão
Atenas venceu a potência guerreira
Preservou as pessoas livres da escravidão
Aos já submetidos restituiu a fronteira
Libertando os povos daquela opressão
Sismos e dilúvios vieram devastadores
Num dia e uma noite de calamidade
A terra tragou os antigos defensores
E o mar fez sumir a insular cidade
Atlântida afundou nas águas revolvidas
Lama rasa bloqueou a passagem
As antigas rotas ficaram impedidas
Intransitável tornou-se a paragem
Atlântida, de canais monumentais
Com fontes de águas frias e aquecidas
Oricalco revestia muros reais
E as docas permaneciam concorridas
Dez reis obedeciam à lei gravada
Na coluna inscrita do templo ancestral
A antiga aliança seguia jurada
Conforme o preceito do rito real