No miolo do mundo, Brasil se inventa ligeiro
Caduco de lei, certo de engenho, arte de viver
Cada enrosco se resolve no modo brasileiro
Com fala que contorna e deixa a vida correr
Tem regra de titânio? Aqui vira maleável
Tem porta fechada? Um riso faz abrir
No vai-e-vem da sorte, no trato improvável
O impossível aprende a consentir
Brasil, país do jeitinho, é sim
Jeito que ajeita, que entorta e faz
Que escapa da linha pra poder caber
É falta e sobra, é guerra e paz
É o mundo dobrado pra gente viver
Não é só malícia, nem vício declarado
É malandragem de sobrevivência, saber e visão
Um tino aprendido no tempo apertado
Onde a falta ensina outra solução
Mas tem hora que cobra, tem peso guardado
Quando o fácil desanda e se torna prisão
E o que era saída, caminho improvisado
Vira roda sem rumo, sem direção
Brasil, país do jeitinho, é sim
Jeito que ajeita, que entorta e faz
Que escapa da linha pra poder caber
É falta e sobra, é guerra e paz
É o mundo dobrado pra gente viver
Ainda assim segue o povo, inventando sentido
Entre falha e milagre, entre êrro e criação
Carregando no peito um modo vivido
De torcer o destino na própria mão
Brasil, país do jeitinho, é sim
Jeito que ajeita, que entorta e faz
Que escapa da linha pra poder caber
É falta e sobra, é guerra e paz
É o mundo dobrado pra gente viver
E da esperteza faremos um ideal
Da malícia faremos um modo de ser
Vamos dar nó em pingo d'água, somos sem igual
País do jeitinho, o Brasil está aí pra qualquer um ver
Brasil, país do jeitinho, é sim
Jeito que ajeita, que entorta e faz
Que escapa da linha pra poder caber
É falta e sobra, é guerra e paz
É o mundo dobrado pra gente viver