Pelas caloríficas de Cataguases
Desabou um clarão cor de pus
Feito sino de peste celeste
Fulminado fios de luz
Da coisa aberta no descampado
Saíram ET's magros de espinha azul
Boquinha rangendo gosma quente
E um cheiro podre de açude e sulfúr
Lavadeiras sumiam na ponte
Meninos faltavam no beco do Fórum
E pela manhã surgiam vísceras
Boiando lentas no Rio Pomba, morno
Foram bocarras de outro planeta
Trazendo escuma e devoração
Mexiam tachos de fubá fervente
Com pedaços de população
Foram bocarras de outro planeta
Trazendo escuma e devoração
Mexiam tachos de fubá fervente
Com pedaços de população
Uma certa dona Aurora jurou ter visto
Na janela cupinzada dum sobradinho
Um dos invasores sorvendo tripas
Feito quem prova caldo e toucinho
Na madrugada de chuva grossa
Rebentou gritaria na Matriz
Porque acharam num alguidar
Três dentes humanos e um nariz
Então a cidade virou clausura
Com lampião, benzina e temor
E os seres rondavam os quintais
Famintos por vísceras e calor
Foram bocarras de outro planeta
Trazendo escuma e devoração
Mexiam tachos de fubá fervente
Com pedaços de população
E Cataguases virou matadouro a céu aberto
Com criaturas sidéreas num festim indigente
Primeiro as beatas, sob perdão encoberto
Depois os viventes restantes da gente
Foram bocarras de outro planeta
Trazendo escuma e devoração
Mexiam tachos de fubá fervente
Com pedaços de população
Foram bocarras de outro planeta
Trazendo escuma e devoração
Mexiam tachos de fubá fervente
Com pedaços de população