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Dama da Lâmina Afiada

Astrikos Katoikos

Quem viu a saia dela lá na cerração
Conhece os segredos da madrugada
Pois foi pela Viela de São Sebastião
Que mandava a dama da lâmina afiada

Ninguém sabia hora ou lugar
Nunca se soube de onde ela vinha
Mas quando o abuso queria reinar
Maria Navalha surgia e colocava na linha

Vi seu chapéu destacado na avenida
Vi demanda ruim perder direção
Quem ganha proteção em sua guarida
Passa ileso por qualquer provação
Sua navalha brilhou na noite fechada
Feito corisco dentro da escuridão
Toda malevolência bem disfarçada
Perdeu toda a força naquela ocasião

Busquei seu vulto pela Lapa antiga
Perto dos trapiches ao cair da tarde
Debaixo de luzeiros de chama franzina
Seu nome corria de alarde em alarde

Na roda cheia de encrenqueiros
Onde sempre sobrava opinião
Quando citavam o nome Maria Navalha
Se calava na hora até o mais valentão

Lá da plataforma até a feira
Dos sobrados até a comunidade
Sua presença sempre foi o freio
Que punha juízo em bandidagem

Girou o vento na esquina escura
Fez redemoinho de pó e papel
Maria Navalha manteve a postura
Sem abaixar os olhos nem ao mais cruel

Vi seu chapéu destacado na avenida
Vi demanda ruim perder direção
Quem ganha proteção em sua guarida
Passa ileso por qualquer provação
Sua navalha brilhou na noite fechada
Feito corisco dentro da escuridão
Toda malevolência bem disfarçada
Perdeu toda a força naquela ocasião

Tinha elegância sem ostentação
Sempre com firmeza sem levantar a voz
Quando a calúnia ganhava dimensão
Sua braveza justa falava por nós

Se a inveja arma tocaia traiçoeira
Se a maldade prepara prisão
Maria Navalha segue altaneira
Montando guarda no coração

Vi seu chapéu destacado na avenida
Vi demanda ruim perder direção
Quem ganha proteção em sua guarida
Passa ileso por qualquer provação
Sua navalha brilhou na noite fechada
Feito corisco dentro da escuridão
Toda malevolência bem disfarçada
Perdeu toda a força naquela ocasião

Maria Navalha
Maria Navalha
Maria Navalha
Maria Navalha

Quem viu a saia de malandra na cerração
Jamais esqueceu o que presenciou
Muita grandeza virou recordação
E Maria Navalha apareceu e ficou

Composição: Marcelo Ribeiro Dantas