Naves deslizam no vácuo profundo
Curvam trajetos sem propulsão
Dobram métricas do próprio mundo
Reescrevem tempo na equação
Motores não queimam combustível
Manipulam o contínuo ao redor
O Espaço deixa de ser tangível
E vence qualquer cálculo menor
Buracos negros devoram luz
Regiões onde a lei se distorce
Horizonte extremo que conduz
Tudo ao limite onde a forma se contorce
Se o tempo pode se contrair
Também se pode expandir
E o que parece ruir
Pode em outro plano ressurgir
Buraco branco a expelir
Aquilo que não pôde sumir
E a nave aprende a existir
Onde o real deixa de insistir
Túneis ligam pontos distantes
Pontes sem matéria visível
Chamam de atalhos pulsantes
Mas seu uso é quase impossível
Gravidade dobra toda direção
Lente cósmica a deformar
O que se vê é projeção
De algo além de enxergar
E mesmo assim a mente cria
Veículos muito fora do padrão
Que cruzam eras num só dia
Sem se prender à duração
Se o tempo pode se contrair
Também se pode expandir
E o que parece ruir
Pode em outro plano ressurgir
Buraco branco a expelir
Aquilo que não pôde sumir
E a nave aprende a existir
Onde o real deixa de insistir
No limite da compreensão
Onde a linguagem já não vem
Espaçonave, tempo e dimensão
São só variações do mesmo além
Na galáxia
No universo
No espaço e além
Se o tempo pode se contrair
Também se pode expandir
E o que parece ruir
Pode em outro plano ressurgir
Buraco branco a expelir
Aquilo que não pôde sumir
E a nave aprende a existir
Onde o real deixa de insistir