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Galático

Astrikos Katoikos

Naves deslizam no vácuo profundo
Curvam trajetos sem propulsão
Dobram métricas do próprio mundo
Reescrevem tempo na equação

Motores não queimam combustível
Manipulam o contínuo ao redor
O Espaço deixa de ser tangível
E vence qualquer cálculo menor

Buracos negros devoram luz
Regiões onde a lei se distorce
Horizonte extremo que conduz
Tudo ao limite onde a forma se contorce

Se o tempo pode se contrair
Também se pode expandir
E o que parece ruir
Pode em outro plano ressurgir

Buraco branco a expelir
Aquilo que não pôde sumir
E a nave aprende a existir
Onde o real deixa de insistir

Túneis ligam pontos distantes
Pontes sem matéria visível
Chamam de atalhos pulsantes
Mas seu uso é quase impossível

Gravidade dobra toda direção
Lente cósmica a deformar
O que se vê é projeção
De algo além de enxergar

E mesmo assim a mente cria
Veículos muito fora do padrão
Que cruzam eras num só dia
Sem se prender à duração

Se o tempo pode se contrair
Também se pode expandir
E o que parece ruir
Pode em outro plano ressurgir

Buraco branco a expelir
Aquilo que não pôde sumir
E a nave aprende a existir
Onde o real deixa de insistir

No limite da compreensão
Onde a linguagem já não vem
Espaçonave, tempo e dimensão
São só variações do mesmo além

Na galáxia
No universo
No espaço e além

Se o tempo pode se contrair
Também se pode expandir
E o que parece ruir
Pode em outro plano ressurgir

Buraco branco a expelir
Aquilo que não pôde sumir
E a nave aprende a existir
Onde o real deixa de insistir

Composição: Marcelo Ribeiro Dantas