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Ingrid Contra a Estirpe Reptiliana

Astrikos Katoikos

Nas vértebras de um céu necrosado
A raça sauriana alteia a cidadela
Ingrid avança, o flanco macerado
E a lança fulge à frente da procela

Nas criptas, cada escama tem memória
Cada pupila encerra um mausoléu
Milhões de eras fermentaram sua história
Debaixo de astros condenados pelo céu

Da furna vem a casta lacertina
Com mandíbulas de antiga teratose
A pele exsuda a linfa alcalina
Os olhos têm milênios de necrose

Guerreira Ingrid
A lança contra a escama
O aço contra o réptil
Que venha das cavernas sua trama
Seu sangue ancestral tornou-se estéril

Um monstro investe, a lança lhe dilacera
A couraça de placas queratinas
Outro rasteja, monstruosa fera
Por entre estelas, ossos e ruínas

Há crânios que conservam inscrições
De sóis extintos antes desta esfera
Há línguas recitando imprecações
Legadas por alguma prístina era

Ingrid recebe o assalto das falanges
A carne aberta tinge a vestimenta
Cercada pelas saurianas hostes
Prossegue inexorável e violenta

A lança encontra a carne sauriforme
A criatura arqueja entre estertores
E atrás do corpo nasce algo disforme
Nutrido entre sarcófagos e horrores

Ingrid, Ingrid
A lança contra a escama
O aço contra o réptil
Que venha das cavernas sua trama
Seu sangue ancestral tornou-se estéril

No templo, um hierofante reptiliano
Descerra a mandíbula tripartida
Seu olho guarda um firmamento arcano
Relíquia de uma gênese apodrecida

Ingrid contempla a monstruosa espécie
Os dentes cerram ante a luz malsã
Depois investe contra aquela messe
Que rastejou de alguma idade vã

E quando a última criatura tomba
A pedra ainda conserva a liturgia
Do subterrâneo alguma entranha estronda
A guerra apenas muda de dinastia

Composição: Marcelo Ribeiro Dantas