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Lumumba

Astrikos Katoikos

Quando a aurora ergueu seu estandarte
O Congo abriu o próprio coração
Mas veio a Europa, antiga carcereira
Cobrar em sangue a libertação

Nenhuma força armada vence uma palavra
Quando ela nasce para permanecer
Quem fala em nome de milhões de homens
Já não pertence ao seu próprio morrer

As minas davam cobre aos impérios
Diamantes milionários riam sobre a dor
Enquanto a terra alimentava tronos
Seu povo conhecia o pior dissabor

Vestia apenas voz e esperança
Nenhum palácio lhe serviu de lar
Carregava um país nos ombros
Sem jamais deixar de caminhar

Lumumba!
Seu nome rompeu a noite colonial
Muito mais alto que qualquer tribunal
Te partiram membro por membro
Lançaram seus ossos ao nada
Mas nenhum ácido dessa terra
Dissolve o destino de uma alma determinada

Os generais venderam continentes
Os Mercadores leiloaram a razão
Carimbos, fardas, mapas e gravatas
Nunca calaram uma nação

Os rios seguem rumo ao oceano
As árvores conhecem seu valor
Cada criança livre da África
Carrega um fragmento do seu ardor

A chuva lava o ferro das correntes
Jamais a culpa dos algozes
Cada século devolve aos assassinos
O julgamento de milhões de vozes

Lumumba!
Seu nome rompeu a noite colonial
Muito mais alto que qualquer tribunal
Te partiram membro por membro
Lançaram seus ossos ao nada
Mas nenhum ácido dessa terra
Dissolve o destino de uma alma determinada

Um dente regressou como relíquia
Vergonha para quem o conservou
Restava pouco do seu corpo
Restava tudo quanto edificou

Reinos tombam
Bandeiras envelhecem
Toda tirania perde a cor
Mas quem oferece a própria vida
Entra em nossa memória com louvor

Hoje o Congo pronuncia seu sobrenome
E cada sílaba desfaz o breu
Podem ocultar um corpo inteiro
Jamais sepultar aquilo que nasceu

Patrice Lumumba
Patrice Lumumba
Nenhum império venceu seu nome
Seu exemplo é no nosso coração
Que retumba

Composição: Marcelo Ribeiro Dantas