Dona Firmina jurou na quitanda
Que perdeu o emprego por causa de um olhar
Disse que a vizinha, lá da outra banda
Mandou vento virado pra lhe derrubar
Seu Norberto ouviu a história inteira
Fez que sim com a cabeça, sem contrariar
Mas pensou: Foi a terceira bebedeira
Que fez o patrão de vez lhe dispensar
É o despacho, é a macumbaria
É a espinhela que resolveu cair
É o quebranto rondando a freguesia
Quando ninguém quer a culpa assumir
É o despacho, é a feitiçaria
É o vodu escondido no capinzal
Mas às vezes a resposta aparecia
Em qualquer tarólogo mais banal
Seu Juvenal perdeu todo o salário
Num jogo de pôquer que jurava controlar
Voltou dizendo ao povo do bairro
Botaram coisa feita no meu lugar
Garantiu que uma vela encomendada
Desorganizou sua prosperidade
Esqueceu da aposta desajuizada
Que engoliu metade da propriedade
Dona Alzira sentiu dor na cintura
Dor no joelho, na nuca e no dedão
Concluiu que alguma força muito obscura
Se instalara de vez no barracão
O doutor lhe perguntou com delicadeza
Quantos anos faz que a senhora não descansa?
Ela respondeu com grande firmeza
Descansar? Isso é conversa de criança
Tem sujeito que tropeça na calçada
Culpa logo sete almas do além
Mas esquece da botina arrebentada
Que já pedia aposentadoria também
Tem quem chegue atrasado o ano inteiro
Perca prazo, compromisso e ocasião
Depois diga que um terrível feiticeiro
Amarrou sua vida com um simples cordão
Tem aquele que tem borogodó
Esse a sorte nunca deixa só
É o despacho, é a macumbaria
É a espinhela que resolveu cair
É o quebranto rondando a freguesia
Quando ninguém quer a culpa assumir
É o despacho, é a feitiçaria
É o vodu escondido no capinzal
Mas às vezes a resposta aparecia
Em qualquer tarólogo mais banal
Há quebranto, há demanda e há mistério
Disso muita gente velha já falou
Mas também existe um fato muito sério
Nem tudo foi Saci quem aprontou
Às vezes o destino mais temido
Que aparece feito sombra ao anoitecer
É somente o resultado acumulado
Das besteiras que a gente foi fazer
É o despacho, é a macumbaria
É a espinhela que resolveu cair
É o quebranto rondando a freguesia
Quando ninguém quer a culpa assumir
É o despacho, é a feitiçaria
É o vodu escondido no capinzal
Mas às vezes a resposta aparecia
Em qualquer tarólogo mais banal
Salve a macumbaria
Macumbaria
Macumbaria
Salve