O trem apita na curva da tarde
Leva o meu nome e o meu trapo de dor
Deixo a janela aberta pra saudade
Vou sem destino, à procura do que for
A estrada desenha o mapa de poeira
O vento bate e desarruma o chão
Sou passageiro desta vida inteira
Com um bilhete e muitos calos na mão
Lá vou eu, mundo afora, sem juízo
No vagão do tempo que não tem fim
Vou trocando a dor por qualquer sorriso
Neste destino que desce sobre mim
A noite rasga o bilhete
A plataforma é um deserto de giz
Sou o rastro que o vento repete
O avesso do que eu quis
Chego na praça onde o tempo parou
Bebo da água que o poço guardou
Tudo é estranho e parece tão meu
O passo é fraco, mas o espírito ascendeu
A noite rasga o bilhete
A plataforma é um deserto de giz
Sou o rastro que o vento repete
O avesso do que eu quis