Vereda caliginosa sob fuligem de enxofre
Campa erma ressoa tropel que não sofre
Esporas espectrais tinem na lapa vazia
E o campo se rende à rubescente agonia
Mula sem crânio expelindo labareda
Esse fogaréu estala na senda azeda
Crina em brasa chicoteia a campina
E a noite desespera em chama carmesina
Couro lacerado em sulcos de cinza
Tendões à mostra na relva vazia
Vísceras pendem em galhos crestados
E ossos estalam por cascos cravados
É a mula sem cabeça
No breu do campo o tropel em fúria
Labareda violenta sem face nem agrura
Na noite brumosa o perdão se desfaz
E quem cruza o rastro some e aqui jaz
É a mula sem cabeça
No breu do campo o tropel em fúria
Labareda violenta sem face nem agrura
Na noite brumosa o perdão se desfaz
E quem cruza o rastro some e aqui jaz
Sabidos de culpa em sentença eclesial
A penitência sem termo em curso infernal
Cada blasfêmia reacende a trilha
Cada pecado expõe a vil covardia
Quem escuta o tropel perde o rumo
Segue o chamado maldito no prumo
O hálito ardente crestando a cerviz
Profetiza o infortúnio que nunca se diz
Dorso se abre sob movimento súbito
Corpo arrastado no supetão lúgubre
Grito se extingue em soluço final
E a chama consome o resto carnal
É a mula sem cabeça
No breu do campo o tropel em fúria
Labareda violenta sem face nem agrura
Na noite brumosa o perdão se desfaz
E quem cruza o rastro some e aqui jaz
Ao cessar o fragor na várzea calada
Resta só fuligem na terra pisada
Um odor sulfuroso se espalha e atrai
O prenúncio de retorno que nunca se esvai
É a mula sem cabeça
No breu do campo o tropel em fúria
Labareda violenta sem face nem agrura
Na noite brumosa o perdão se desfaz
E quem cruza o rastro some e aqui jaz
É a mula sem cabeça
No breu do campo o tropel em fúria
Labareda violenta sem face nem agrura
Na noite brumosa o perdão se desfaz
E quem cruza o rastro some e aqui jaz