Veiga noturna em névoa salobra
Brejo encharcado onde a treva sobra
No limo cintila um archote serpente
Vigília como salamandra de marcha latente
Boitatá fulgura em corpo anelar
Escama vítrea a luz destilar
Globos incandescentes orbitam a trilha
Mini astros de fogo na mata que cintila
Quem fita o brilho perde a visão
Retina crestada em súbita combustão
Órbitas secas em chama voraz
A coisa consome o que encontra e desfaz
Na pradaria de trevas o fulgor se refaz
Tocha que cega e nunca se desfaz
Brasa antiga que risca o matagal e vigia
Língua de chama que serpenteia como magia
O Boitatá amedronta
Voa, avança e afronta
Na pradaria de trevas o fulgor se refaz
Tocha que cega e nunca se desfaz
Brasa antiga que risca o matagal e vigia
Língua de chama que serpenteia como magia
O Boitatá amedronta
Voa, avança e afronta
Fogo-fátuo serpenteia no pântano fechado
O clarão errante de curso desviado
Globos irradiantes rondam a fazenda
Quem segue a luz é derrotado na contenda
Guardião antigo da madrugada interdita
Cólera amarga em ronda proscrita
Onde o capim se verga em arrepiante sinal
A forma flameja talvez em desígnio mortal
Andarilho perdido na trilha sombria
Segue o clarão que a mente vicia
Cada passada afunda na lama tenaz
E o ser circunda sem nunca dar paz
Na pradaria de trevas o fulgor se refaz
Tocha que cega e nunca se desfaz
Brasa antiga que risca o matagal e vigia
Língua de chama que serpenteia como magia
O Boitatá amedronta
Voa, avança e afronta
No auge do pânico a chama vai e sobe
Deixa círculo de brasas que comove
Resto vitrificado no campo anormal
Testemunho desse mistério ancestral
Na pradaria de trevas o fulgor se refaz
Tocha que cega e nunca se desfaz
Brasa antiga que risca o matagal e vigia
Língua de chama que serpenteia como magia
O Boitatá amedronta
Voa, avança e afronta
Na pradaria de trevas o fulgor se refaz
Tocha que cega e nunca se desfaz
Brasa antiga que risca o matagal e vigia
Língua de chama que serpenteia como magia
O Boitatá amedronta
Voa, avança e afronta