Salve o banco, o cachimbo e a reza
Salve o tempo, a calma e a certeza
Salve a fumaça que sobe e ensina
Salve o amor que do chão germina
Ô Pai Velho, seu passo é leve
Seu canto é manso, seu olhar é breve
Da dor do mundo você fez abrigo
Na chibata da vida plantou o amigo
Seu corpo cansado é livro aberto
Cada ruga guarda um acerto
Nas suas mãos mora a paciência
No seu sorriso, a consciência
Quem chega perto aprende a escutar
O que é viver, o que é esperar
E o chão parece mais macio
Quando você fala baixinho: Meu fio
Ô Pai Velho, seu passo é leve
Seu canto é manso, seu olhar é breve
Da dor do mundo você fez abrigo
Na chibata da vida plantou o amigo
Vejo seus olhos guardando estrada
Luz que consola alma cansada
Seu pano branco é força e calma
Que limpa o corpo e acende a alma
Suas contas brilham na lembrança
História viva, fé e esperança
E cada conselho que você ensina
Faz a tristeza perder a sina
Ô Pai Velho, seu passo é leve
Seu canto é manso, seu olhar é breve
Da dor do mundo você fez abrigo
Na chibata da vida plantou o amigo
No banco simples, no chão batido
O tempo para, tudo faz sentido
Você acende o cachimbo e chama
A gira se enche da tua chama
Seu jeito manso é lei e exemplo
Sua palavra é o próprio templo
Quem vem chorando encontra guarida
Volta mais leve pra sua vida
Ô Pai Velho, seu passo é leve
Seu canto é manso, seu olhar é breve
Da dor do mundo você fez abrigo
Na chibata da vida plantou o amigo
E quando a gira termina em canto
O ar ainda tem seu encanto
O céu parece baixar a serra
Pra te acolher, velho da terra
Seu nome é força, raiz e guia
Seu toque é paz, sabedoria
Salve o tempo que em você se encerra
Salve a fé viva que cura a terra
Ô Pai Velho, seu passo é leve
Seu canto é manso, seu olhar é breve
Da dor do mundo você fez abrigo
Na chibata da vida plantou o amigo
Preto-Velho, conselheiro e guia
Seu nome é amor, sua luz é a fé que alumia