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Sentença de Posse

Astrikos Katoikos

O agrimensor mediu a terra com fita de aço
Ignorou que as cidades são cascas finas no espaço
As ciperáceas cavam o chão da garagem vazia
Um satélite abandonado capta a nossa agonia

Disseram que o progresso era um muro bem alto
Mas há um Deus ancestral aguardando embaixo do asfalto

Laroyê na órbita de Saturno!
O universo é um terreiro noturno!
Quebre a flauta, pisoteie o papel
Não há diferença entre a lama e o céu

Sete moscas revisam o código de barras
Mutucas afinam velhas guitarras
Nas glumas do trigo dorme um monstro esquecido
Que roubou a gravitação e o tempo perdido

O tabelião assina a nossa sentença de posse
O solo abssorve o homem com uma leve tosse

Quem é que conta os passos do caminhante?
Quem é que vê o monstro e o diamante?
Eu não sou o nome impresso no RG
Não sou o olho, sou o ato de ver

Sem ontem, sem hoje, sem fuga ou chegada
A Consciência assiste a Terra desintegrada

Laroyê na órbita de Saturno!
O universo é um terreiro noturno!
Quebre a flauta, pisotêie o papel
Não há diferença entre a lama e o céu!

Nada naceu do tijolo
Mas milhões morrem no morro
O que sou... Sempre será
E o demiurgo disso tudo
Finalmente acordará

Essa música foi criada com acaso
Jogando frases e avaliando o resultado
Por que gerar desordem é tão difícil
Mesmo tendo essa intenção como ofício?

Libertem os oprimidos!
Oprimam os opressores
Nesse vai e vem de personagens
Seremos realmente os libertadores?

Laroyê na órbita de Saturno!
O universo é um terreiro noturno!
Quebre a flauta, pisotêie o papel
Não há diferença entre a lama e o céu!

Composição: Marcelo Ribeiro Dantas