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Tom Waits

Astrikos Katoikos

Garçom no turno da madrugada
Anotava tudo sem dizer nada
Gente cansada chegando só
Casacos gastos, cheiro de pó

Quem perdeu casa, quem perdeu trem
Quem foi embora sem deixar ninguém
Cada conversa, cada confissão
Virava verso e Jazz na recordação

Enquanto o rádio buscava brilho
Seguiu distante do mesmo trilho
Preferiu vozes fora do padrão
Figuras sem fama nem posição

Boxeadores sem cinturão
Músicos sem ocupação
Velhos sonhando com dias atrás
Todos cabiam em suas ideias muito mais

Tom Waits
Companheiro dos esquecidos
Tom Waits
Guardião dos vencidos
Fez da conversa de balcão
Matéria-prima para canção
Tom Waits
Habitante da contramão
Tom Waits
Alquimista da invenção
Pegou fragmentos do cotidiano
E transformou tudo em algo humano

Depois mudou sua direção
Abandonou a repetição
Madeira, ferro, vidro e metal
Ganharam função instrumental

Cada trabalho parecia abrir
Um território inteiro por descobrir
Quando esperavam repetição
Mudava toda a sua composição

No cinema cruzou projeções
Vestindo diversas representações
Diabo, andarilho, talvez motorista de rabecão
Sempre com incomum atuação

Jamais seguiu a multidão
Nem negociou nenhuma convicção
Preferiu manter a própria visão
Acima de qualquer imposição

Tom Waits
Companheiro dos esquecidos
Tom Waits
Guardião dos vencidos
Fez da conversa de balcão
Matéria-prima para canção
Tom Waits
Habitante da contramão
Tom Waits
Alquimista da invenção
Pegou fragmentos do cotidiano
E transformou tudo em algo humano

Décadas mudaram o cenário
Mudaram moda e calendário
Mas aquela voz rouca permanece igual
Inconfundível e fenomenal

Composição: Marcelo Ribeiro Dantas