Mãe, olho nas fotografias enxergo saudade
Tudo ali era verdade
Sem pose pra tirar foto ou então maquiagem
O tempo era bom
Quando Natal era minha data preferida
Eu ainda era competitivo
Hoje sequer ligo para corridas
O meu avô ainda andava
E o meu pai em casa vivia
Preocupação era nota de sala
Hoje tô livre mas sem companhia
Quem foi que disse que o tempo não existe?
A gente desiste, de procurar um motivo
Passáros voam pra longe
Para sentir que ainda estão vivos
Isso me aflinge, desde os quinze
Não consigo dizer o que sinto
Vivo uma mentira, faça o que eu digo
Ainda não me libertei dos vícios
São ossos do oficio
Tentei escapar, cheguei perto mas é tão difícil
Olho pra minha mãe com um sorriso
Hoje eu não me sinto um lixo
Eu visitei Deus várias vezes
Ele me disse pra ficar calmo
Eu queria me encontrar com ele
Já que eu não o enxergava em salmos
Uma guerra de ego
Onde carrego sempre o maior fardo
De não contar o que tô pasando
Odeio me sentir como um coitado
Ninguém vai te salvar dessa vida
Seja eu indo embora da cidade
Minha mãe grávida com pouca idade
Meu pai lidando com a paternidade
Minha irmã somente por ser quem é
Sendo julgada na sociedade
Você só é livre de verdade
Quando não é escravos das suas vontades